As investigações da Polícia Civil de São Paulo avançaram nesta sexta-feira (14) e apontaram que o homem encontrado morto após a explosão que destruiu uma residência no Tatuapé, na Zona Leste da capital, na noite de quinta-feira (13), é Adir Oliveira Mariano, de 46 anos. O imóvel, localizado próximo às avenidas Celso Garcia e Salim Farah Maluf, funcionava como um depósito irregular de fogos de artifício, segundo as autoridades. A identificação, embora ainda dependa de exames formais, foi confirmada com base em informações fornecidas por familiares e em detalhes levantados pelo setor de investigação.
A explosão, que resultou na morte de Adir e deixou dez pessoas feridas — algumas gravemente —, também provocou a interdição de ao menos 21 imóveis e gerou um rastro de destruição que abalou moradores de diversas regiões da Zona Leste. O impacto foi tão intenso que o estrondo pôde ser ouvido em bairros distantes até 13 quilômetros do local.
Durante uma coletiva de imprensa na manhã de sexta-feira, o delegado Felipe Soares, da 5ª Delegacia Seccional Leste, afirmou que todos os indícios apontam que Adir estava sozinho no interior da residência quando a explosão ocorreu. De acordo com o delegado, a polícia trabalha com informações preliminares fornecidas por familiares e vizinhos, além de dados levantados no local da tragédia.
"Até o momento, tudo indica que a vítima era Adir Oliveira Mariano, de 46 anos, que estaria só no imóvel no momento da detonação. O corpo carbonizado encontrado pelo Gate corresponde à pessoa que residia no local recentemente", informou o delegado.
O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), chamado pelos bombeiros por se tratar de um cenário de risco com possível presença de explosivos remanescentes, encontrou o corpo em meio aos escombros. A identificação visual não foi possível devido ao estado da vítima, e um parente que compareceu ao Instituto Médico Legal (IML) não conseguiu reconhecê-lo. Exames de DNA devem confirmar oficialmente a identidade nos próximos dias.
Investigações revelaram que Adir Oliveira Mariano havia se mudado para a residência há cerca de 40 dias. O imóvel, no entanto, estava alugado havia aproximadamente três meses pelo irmão dele, Alessandro de Oliveira Mariano, que figura como responsável formal pelo contrato de locação. A Polícia Civil apura se Alessandro tinha conhecimento sobre o armazenamento ilegal de fogos de artifício no local ou se o irmão utilizava o espaço de forma independente.
Segundo informações preliminares, a Prefeitura de São Paulo desconhecia totalmente que o imóvel vinha sendo usado como depósito de materiais explosivos. Órgãos de fiscalização, como a Subprefeitura Mooca e o Corpo de Bombeiros, confirmaram que não havia nenhuma licença ou solicitação de alvará para atividades relacionadas ao comércio, manuseio ou guarda de fogos de artifício. A ausência total de documentação reforça a hipótese de operação clandestina.
Adir Oliveira Mariano não era uma figura conhecida pela vizinhança. Moradores afirmaram à polícia que pouco o viam e que sua rotina parecia discreta e reservada. Apesar disso, investigações revelam que Adir tinha duas passagens policiais, registradas em 2011 e 2012, relacionadas à soltura de balões — prática considerada criminosa devido ao alto risco de incêndios. Ele, porém, foi absolvido dessas acusações em 2015.
As redes sociais de Adir também chamaram a atenção dos investigadores. Em seu perfil, várias publicações exaltam a prática da fabricação e soltura de balões, mesmo sendo uma atividade proibida por lei. Em uma das postagens, ele escreveu uma homenagem poética a um amigo falecido, destacando a ligação emocional que mantinha com o hobby ilegal:
“Poucos entendem que por trás de papel, cola, vela e fogo há algo inexplicável; um sentimento de adoração e necessidade nos leva a um lugar único; é um dom abençoado por Deus. Fica a saudade e a alegria de saber que foi uma pessoa especial.”
A publicação reforça, na visão dos investigadores, a hipótese de que Adir estivesse envolvido em atividades clandestinas relacionadas à fabricação ou armazenamento de materiais pirotécnicos.
Peritos do Instituto de Criminalística passaram toda a sexta-feira analisando os escombros da residência na tentativa de identificar a origem exata da explosão. A hipótese mais provável é que algum tipo de material pirotécnico tenha se inflamado ou detonado acidentalmente. Entretanto, ainda não se sabe o que teria desencadeado a explosão — se um vazamento, um curto-circuito, manuseio inadequado ou outra situação.
Os especialistas também investigam se o local tinha alguma adaptação irregular que pudesse ter aumentado o risco, como fiação precária, acúmulo de produtos inflamáveis ou armazenamento em condições inadequadas.
O Corpo de Bombeiros reiterou que a presença de fogos destinados à prática de soltura de balões — versão apontada por evidências preliminares — aumenta consideravelmente a probabilidade de acidentes graves, pois esse tipo de material costuma ser produzido sem controle de qualidade e sem as certificações mínimas exigidas pelas normas de segurança.
Moradores da região relataram momentos de desespero, com janelas estilhaçadas, portas arrancadas e objetos arremessados dentro das casas. Diversas famílias precisaram deixar suas residências após a Defesa Civil interditar ao menos 21 imóveis por risco de colapso estrutural.
A maioria dos vizinhos afirmou não ter conhecimento de que o local funcionava como depósito. Segundo relatos, o movimento na casa era discreto e não levantava suspeitas de que grandes quantidades de fogos estavam armazenadas ali.
"Era uma casa normal, parecia uma residência comum. Nunca imaginamos que guardavam explosivos lá dentro", contou uma moradora que preferiu não se identificar.
A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar a origem dos explosivos, a legalidade do armazenamento e a eventual participação de outras pessoas, incluindo o proprietário do imóvel, o irmão da vítima e eventuais fornecedores dos materiais.
A investigação deve contar com laudos técnicos, depoimentos de familiares, análise de documentos de aluguel e possíveis registros de transações comerciais envolvendo fogos de artifício.
Nesta sexta-feira, equipes da Defesa Civil, da Enel, da Polícia Militar, da SPTrans e do Corpo de Bombeiros permaneciam no entorno da ocorrência para prestar apoio e orientação aos moradores afetados. A energia foi restabelecida parcialmente na região, e as vias próximas já haviam sido liberadas para tráfego, embora o clima entre os moradores ainda fosse de preocupação e insegurança.
Detalhes da explosão:
A detonação ocorreu em uma residência usada como depósito irregular de fogos de artifício no Tatuapé, resultando na morte de Adir Oliveira Mariano e deixando dez pessoas feridas. O impacto destruiu imóveis, veículos e causou forte abalo na vizinhança.
Precauções:
Materiais explosivos só podem ser manuseados e armazenados seguindo normas rígidas de segurança, em locais autorizados e fiscalizados. Qualquer irregularidade coloca vidas em risco e pode provocar tragédias de grande proporção.
Legalidade:
Armazenar fogos de artifício em grandes quantidades sem autorização é considerado ilegal no Brasil, podendo resultar em punições, multas e responsabilização criminal.
Situação atual:
As investigações da Polícia Civil continuam em andamento para esclarecer as causas da explosão e identificar eventuais responsáveis.