Geral Crise hídrica
Mananciais de SP operam com apenas 26% da capacidade e Governo reforça alerta para uso consciente da água
Seca histórica, onda de calor recorde e aumento de até 60% no consumo pressionam reservatórios que abastecem a Grande São Paulo
27/12/2025 10h27 Atualizada há 3 semanas
Por: Marcos Renan
Foto de Pablo Jacob/Governo de SP

Os mananciais que integram o Sistema Integrado Metropolitano (SIM), responsável pelo abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo, operam atualmente com apenas 26,42% da capacidade total de armazenamento. O cenário acende um alerta máximo para as autoridades estaduais e para a população, diante da combinação de fatores extremos como a maior seca dos últimos anos, uma onda de calor recorde e o crescimento expressivo do consumo de água, que chegou a aumentar até 60% em algumas regiões nos últimos dias.

O SIM reúne sete sistemas produtores de água e funciona de forma totalmente integrada, conectando grandes e pequenos mananciais, adutoras e estações de tratamento. Esse modelo permite transferências entre reservatórios para reduzir o risco de desabastecimento localizado, mas também faz com que a pressão sobre um sistema impacte diretamente todo o conjunto. Atualmente, dois dos principais reservatórios do estado, Alto Tietê e Cantareira, operam com volumes próximos de 20% da capacidade, exigindo atenção permanente e medidas rigorosas de gestão hídrica.

Diante desse cenário crítico, o Governo de São Paulo mantém e amplia um trabalho integrado de monitoramento, prevenção e mitigação dos efeitos da escassez hídrica. A partir de diagnósticos elaborados pela SP Águas, a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) mantém o regime de prevenção e contingência, autorizando a Sabesp a realizar a gestão da demanda no período noturno por até 10 horas diárias, das 19h às 5h.

Segundo o governo estadual, essas medidas resultam em uma economia diária equivalente a mais de 1,2 milhão de caixas d’água de 500 litros, o que representa cerca de 50,4 mil caixas economizadas por hora. O monitoramento ocorre no âmbito do Comitê Gestor da Política Estadual de Mudanças Climáticas, coordenado pelas secretarias de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e de Defesa Civil, com participação da Arsesp, SP Águas, Sabesp e da Unidade Regional de Abastecimento de Água 1 (URAE-1). As ações fazem parte do Programa São Paulo Sempre Alerta e estão alinhadas ao Plano de Adaptação e Resiliência Climática do Estado.

A onda de calor extremo intensificou ainda mais a pressão sobre o sistema de abastecimento. Para atender a uma demanda considerada anormal, a produção de água precisou ser ampliada em 9%, saltando de 66 metros cúbicos por segundo para 72 m³/s, mesmo em um período em que tradicionalmente há redução no consumo devido às festas de fim de ano e à saída de parte da população da capital e região metropolitana.

De acordo com os modelos meteorológicos oficiais, a previsão para os próximos meses é de chuvas abaixo da média, especialmente em janeiro. Mesmo quando ocorrerem precipitações, elas podem não ser suficientes para reverter rapidamente o quadro de baixa nos reservatórios, o que reforça a importância das ações preventivas e do engajamento da população no uso consciente da água.

O Governo do Estado reforça que atitudes simples no dia a dia fazem grande diferença. Reduzir o tempo do banho de 15 para 5 minutos pode gerar economia de até 162 litros de água por pessoa. Lavar o carro com balde, em vez de mangueira, evita o desperdício de cerca de 176 litros, enquanto varrer calçadas no lugar de lavá-las pode poupar até 279 litros a cada 15 minutos. “O uso consciente da água deve fazer parte da rotina das famílias, principalmente neste período de escassez severa. A ação de cada cidadão tem impacto direto na preservação dos mananciais”, destacou a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende.

Paralelamente às medidas emergenciais, o Estado tem investido fortemente em obras estruturantes para aumentar a resiliência do sistema hídrico. Após a crise de 2014 e 2015, foram executados projetos como o Sistema São Lourenço e a transposição Jaguari-Atibainha, que permite transferir água da bacia do Paraíba do Sul para o Sistema Cantareira. Mais recentemente, a Sabesp entregou antecipadamente o bombeamento de água da bacia do rio Itapanhaú para o Sistema Alto Tietê, beneficiando cerca de 22 milhões de pessoas.

Além disso, foram realizadas ampliações e modernizações em estações de tratamento, como a do Rio Grande e do Alto da Boa Vista, e há previsão de mais de R$ 1,2 bilhão em novos investimentos até 2027. As iniciativas integram um modelo avançado de gestão hídrica, implantado em 2025, que estabelece sete faixas de atuação conforme o nível dos reservatórios, permitindo ações graduais, planejadas e transparentes para garantir o abastecimento e evitar um colapso no sistema.