É parte da natureza humana querer desvendar os mistérios do Universo e, de algum modo, agir com mais segurança diante do futuro. Queremos saber a solução antes de viver. Confirmar antes de escolher. Queremos uma espécie de mapa que nos poupe dos erros e possíveis prejuízos.
Atire a primeira pedra quem nunca fez uma leitura de Tarô — nem que tenha sido gratuita, online ou por curiosidade — para esclarecer uma decisão importante. Ou, quem sabe, apenas para ouvir que estava no caminho certo e assim silenciar a dúvida que insistia em ficar.
Os povos nativos sempre cultivaram essa sensibilidade de consultar a Natureza, os sonhos ou o xamã da tribo em busca de respostas. No fundo, não somos tão diferentes. Oscilamos entre a curiosidade e o medo diante daquilo que não podemos controlar. Há quem se ampare na fé, acreditando em forças divinas, anjos, guias e proteções invisíveis. Outros recorrem aos símbolos, aos rituais, às cartas.
Tarô, Astrologia, Runas, rituais de magia, xamanismo, leitura das mãos, são tantas as práticas que as pessoas buscam para obter alguma orientação ou previsão que parece haver sempre uma linguagem simbólica disposta a nos traduzir o destino.
Talvez o início de um novo ano intensifique essa ânsia: viramos a página do calendário esperando que, do outro lado, a vida venha mais clara, com menos surpresas ruins e mais gentil.
Mais do que encontrar “o caminho certo”, o que parece nos intrigar é a possibilidade de tocar, ainda que indiretamente, as leis que regem a existência. Tentamos negociar com o acaso e antecipar o que ainda não se revelou.
As redes sociais hoje estão repletas de perfis que oferecem todo tipo de serviço oracular. E existe público para todos os bolsos. Pagamos para saber. Para ter certeza do que desconfiávamos.
É curioso como, muitas vezes, entregamos a alguém o poder de ver, prever, decidir e até definir como será o nosso ano. Talvez isso nos alivie, ainda que por alguns minutos, do peso de sermos responsáveis pelas escolhas que fazemos.
Eu, nessa hora, prefiro ser a boa e velha otimista. Faço o que posso para que o ano seja bonito, honesto e habitável. O resto — os encontros, as perdas, as surpresas — deixo que a vida escreva. E que, de algum modo, continue sendo um mistério.