Política Prisão domiciliar
Moraes autoriza prisão domiciliar temporária de Bolsonaro com uso de tornozeleira
Ex-presidente terá comunicação restrita e visitas controladas durante período de 90 dias por razões de saúde
24/03/2026 19h38
Por: Marcos Renan
Foto: Reuters/Diego Herculano

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou nesta terça-feira (24) a concessão de prisão domiciliar temporária ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida foi formalizada por meio da expedição de um alvará de soltura, permitindo que o ex-chefe do Executivo deixe a unidade prisional conhecida como Papudinha para cumprir a pena em sua residência, sob condições rigorosas.

A decisão tem caráter humanitário e prevê duração inicial de 90 dias. Bolsonaro, que está internado desde o dia 13 de março em um hospital particular de Brasília para tratar um quadro grave de pneumonia, deverá ser transferido para sua residência assim que receber alta médica. A medida considera a necessidade de cuidados contínuos de saúde, aliados à manutenção do cumprimento da pena.

De acordo com o despacho, o ex-presidente será monitorado eletronicamente durante todo o período de prisão domiciliar. O uso de tornozeleira é obrigatório, e relatórios diários deverão ser encaminhados às autoridades judiciais para acompanhamento do cumprimento das determinações impostas.

O documento estabelece ainda que Bolsonaro deverá permanecer integralmente em seu endereço residencial, não sendo permitido sair do local sem autorização judicial, salvo em casos excepcionais, como emergências médicas devidamente justificadas. O controle rígido faz parte das condições para manutenção do benefício concedido.

As regras também incluem limitações específicas quanto às visitas. Os filhos Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro poderão visitá-lo em dias previamente definidos, como quartas-feiras e sábados, respeitando horários determinados pela Justiça. Já a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a filha Laura e a enteada Letícia terão acesso liberado, por residirem no mesmo endereço.

Advogados estão autorizados a realizar visitas diariamente, inclusive aos fins de semana e feriados, desde que haja agendamento prévio e respeito ao tempo estipulado. Profissionais de saúde também poderão prestar atendimento contínuo, sem necessidade de autorização judicial para cada visita, desde que estejam previamente cadastrados junto ao STF.

A decisão contempla ainda a continuidade de tratamentos médicos, incluindo sessões de fisioterapia em dias e horários fixos. Em caso de necessidade de internação emergencial, o deslocamento poderá ocorrer sem autorização prévia, desde que o Judiciário seja comunicado posteriormente.

Entre as principais restrições impostas está a proibição do uso de qualquer meio de comunicação externa. Bolsonaro não poderá utilizar telefone, celular ou redes sociais, nem mesmo por intermédio de terceiros. Também está vedada a gravação ou divulgação de áudios e vídeos durante o período da medida.

Durante as visitas autorizadas, todos os aparelhos eletrônicos deverão ser recolhidos pelos agentes de segurança antes do acesso ao local. Além disso, pessoas e veículos passarão por vistoria prévia, como forma de garantir o cumprimento das regras estabelecidas pela decisão judicial.

A segurança da residência ficará sob responsabilidade da Polícia Militar, que atuará no controle de acesso e na fiscalização das condições impostas. O objetivo é assegurar que não haja descumprimento das determinações, evitando riscos à efetividade da medida.

O despacho do ministro ressalta que qualquer violação das regras poderá resultar na revogação imediata do benefício. Nesse caso, o ex-presidente poderá retornar ao regime fechado ou, dependendo da situação de saúde, ser encaminhado a uma unidade hospitalar sob custódia.

A decisão ocorre em meio a um cenário político sensível e deve gerar repercussão entre diferentes setores da sociedade. Enquanto apoiadores destacam o caráter humanitário da medida, críticos tendem a questionar as condições concedidas.

Com a autorização da prisão domiciliar, o caso entra em uma nova fase, marcada pelo monitoramento contínuo e pela necessidade de cumprimento rigoroso das regras estabelecidas pelo STF. O desenrolar da situação dependerá tanto da evolução do estado de saúde de Bolsonaro quanto do respeito às determinações judiciais ao longo do período estipulado.