Polícia Golpe digital
Polícia Civil faz operação contra golpe do falso advogado e prende suspeitos em quatro estados
Criminosos acessavam sistemas judiciais para enganar vítimas com falsas cobranças de precatórios
12/04/2026 08h56
Por: Marcos Renan

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, na manhã desta terça-feira (24), uma operação interestadual para combater um esquema de fraudes conhecido como “golpe do falso advogado”. A ação resultou na prisão de seis pessoas até o momento e contou com apoio de diferentes órgãos de segurança e inteligência.

A investigação é coordenada pela Polícia Civil de Santa Catarina, com participação do Tribunal de Justiça de São Paulo, por meio de seu núcleo de inteligência. As diligências ocorrem simultaneamente em quatro estados: São Paulo, Bahia, Alagoas e Ceará, evidenciando o caráter organizado e interestadual da atuação criminosa.

Somente no estado de São Paulo, foram expedidos seis mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão. As capturas ocorreram em bairros da capital paulista, incluindo Campo Belo, na zona sul, e A. E. Carvalho, na zona leste. A operação mobilizou equipes especializadas, como o Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra), o Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope) e unidades da 2ª Delegacia de Capturas, além de policiais civis de outras regiões.

De acordo com as autoridades, o grupo criminoso utilizava uma estratégia sofisticada para aplicar golpes financeiros em vítimas que aguardavam o recebimento de precatórios valores que o poder público é obrigado a pagar após decisão judicial definitiva.

O esquema começava com a invasão de sistemas judiciais ou o acesso indevido a dados de advogados. A partir dessas informações, os criminosos conseguiam identificar processos em andamento e verificar se os clientes tinham valores a receber. Em seguida, os suspeitos se passavam pelos advogados das vítimas, utilizando inclusive fotos reais obtidas em redes sociais para dar mais credibilidade ao contato.

Com esses dados em mãos, os golpistas entravam em contato com as vítimas, informando falsamente que o pagamento do precatório havia sido liberado. Para concretizar o golpe, solicitavam o pagamento de supostas taxas administrativas, geralmente por meio de transferências instantâneas, como o Pix.

As vítimas, acreditando estar em contato com seus representantes legais, realizavam os pagamentos e só percebiam a fraude posteriormente. O prejuízo variava de acordo com o valor do precatório, podendo atingir cifras significativas.

Segundo a polícia, a dinâmica do crime envolvia uma estratégia de deslocamento geográfico. Embora muitas fraudes tenham início em São Paulo, os valores eram transferidos para contas em outros estados, dificultando o rastreamento e a identificação dos responsáveis.

Após o cumprimento dos mandados, os suspeitos detidos foram encaminhados para a Palácio da Polícia Civil, onde os procedimentos foram formalizados. Eles devem responder por estelionato qualificado por meio eletrônico, crime que prevê penas mais severas devido ao uso de tecnologia e à complexidade da fraude.

As autoridades destacam que esse tipo de golpe tem se tornado cada vez mais comum, especialmente com o aumento do uso de meios digitais e da circulação de informações sensíveis na internet. Por isso, reforçam a importância de que cidadãos redobrem a atenção ao receber comunicações sobre processos judiciais ou valores a receber.

Especialistas orientam que qualquer solicitação de pagamento relacionada a processos deve ser confirmada diretamente com o advogado responsável, por canais oficiais. Além disso, é fundamental desconfiar de pedidos urgentes ou que envolvam transferências imediatas, prática comum em golpes virtuais.

A operação segue em andamento, e novas diligências não estão descartadas. A expectativa das autoridades é identificar outros envolvidos no esquema e aprofundar as investigações para desarticular completamente a organização criminosa.

O caso também reforça a necessidade de investimentos contínuos em segurança digital e proteção de dados, tanto por parte de instituições públicas quanto de profissionais do direito, visando evitar acessos indevidos e o uso fraudulento de informações sensíveis.