Uma operação da Polícia Civil realizada em Itanhaém, no litoral paulista, resultou na prisão de sete pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa ligada ao traficante André do Rap. A ação faz parte da segunda fase da chamada Operação Elos e mobilizou cerca de 40 agentes, após um trabalho investigativo que durou aproximadamente oito meses.
De acordo com as autoridades, o grupo atuava de forma estruturada no tráfico de drogas, com divisão de funções e pagamentos mensais que podiam chegar a R$ 25 mil para alguns integrantes. As investigações apontam que a quadrilha movimentou cerca de R$ 15 milhões no último ano, com entorpecentes vindos principalmente do Paraguai, que eram transportados via Mato Grosso do Sul até o estado de São Paulo.
Durante a operação, os policiais cumpriram mandados de prisão e busca em diferentes endereços. Um dos principais alvos, apontado como gerente da organização criminosa, foi preso dentro de casa enquanto ainda dormia. Outro suspeito, considerado o segundo na hierarquia do grupo e parente do primeiro detido, também foi localizado e levado para prestar depoimento.
Segundo a Polícia Civil, a atuação da quadrilha era organizada e seguia um modelo semelhante ao de grandes facções, com integrantes responsáveis por logística, distribuição e gerenciamento financeiro. A identificação desses papéis foi essencial para o avanço das investigações e para o sucesso da operação.
A primeira fase da Operação Elos já havia resultado na prisão de um dos principais aliados do líder criminoso. Trata-se de Airton da Silva Rocha, conhecido como “Mandrake”, considerado braço direito de André do Rap. Ele foi capturado anteriormente durante uma festa, o que permitiu aos investigadores aprofundar o mapeamento da organização e identificar possíveis substitutos na estrutura do grupo.
Com a prisão das principais lideranças intermediárias, os investigadores conseguiram obter novas informações durante os interrogatórios. Alguns dos detidos indicaram locais onde drogas estavam escondidas. A partir dessas informações, equipes policiais localizaram entorpecentes enterrados em barris, em pontos estratégicos utilizados pela quadrilha.
Foram apreendidas quantidades de cocaína, crack, maconha e LSD, avaliadas em cerca de R$ 200 mil. O material foi recolhido e encaminhado para perícia. A polícia acredita que as apreensões representam apenas uma parte do volume movimentado pela organização, que atuava em larga escala e com logística bem definida.
As autoridades destacam que a operação é mais um passo no combate ao tráfico de drogas no estado de São Paulo, especialmente no enfrentamento a grupos ligados a lideranças criminosas foragidas. André do Rap, considerado um dos principais nomes do tráfico internacional de drogas, segue foragido há cerca de cinco anos.
A expectativa é de que novas fases da operação sejam realizadas, com o objetivo de identificar outros integrantes e desarticular completamente a estrutura da organização criminosa. A Polícia Civil também trabalha para rastrear o fluxo financeiro do grupo, buscando identificar possíveis mecanismos de lavagem de dinheiro.
Os sete presos permanecem à disposição da Justiça e devem responder por crimes relacionados ao tráfico de drogas e associação criminosa. O caso segue em investigação, e novas informações podem surgir à medida que os trabalhos avançam.
A operação reforça a atuação das forças de segurança no combate ao crime organizado e evidencia a complexidade das redes de tráfico que operam no país, muitas vezes com conexões internacionais e grande capacidade de movimentação financeira.