O Governo de São Paulo anunciou a ampliação da campanha de vacinação contra a dengue, incluindo pela primeira vez a população geral. A partir desta segunda-feira (4), pessoas com 59 anos poderão receber o imunizante nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) em todo o estado.
Além desse novo grupo, a vacinação também passa a contemplar trabalhadores da saúde, tanto da rede pública quanto privada. A medida amplia significativamente o público-alvo da campanha, que agora deve alcançar cerca de 1,8 milhão de pessoas em todo o território paulista.
A iniciativa tem como objetivo reforçar a proteção de grupos mais expostos ao vírus e reduzir o impacto da doença, que segue sendo uma preocupação de saúde pública. A estratégia faz parte de um conjunto de ações para conter o avanço da dengue, especialmente em períodos de maior circulação do mosquito transmissor.
O imunizante utilizado é a Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan. Trata-se da primeira vacina contra a dengue aplicada em dose única, com capacidade de proteção contra os quatro sorotipos do vírus. Desde o início da campanha, em fevereiro deste ano, mais de 129 mil doses já foram aplicadas no estado.
São Paulo recebeu pouco mais de 290 mil doses por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), e os municípios têm autonomia para organizar a aplicação conforme a demanda local e a disponibilidade de vacinas.
Dados atualizados indicam que, até o fim de abril, o estado registrou mais de 33 mil casos de dengue e 13 mortes neste ano. No ano anterior, os números foram ainda mais expressivos, com centenas de milhares de casos confirmados e mais de mil óbitos, o que reforça a importância da vacinação como ferramenta de prevenção.
Estudos clínicos apontam que a vacina apresenta eficácia significativa. Em testes realizados com milhares de voluntários ao longo de vários anos, o imunizante demonstrou proteção geral superior a 70% e eficácia ainda maior contra formas graves da doença.
A vacina pode ser aplicada tanto em pessoas que já tiveram dengue quanto naquelas que nunca foram infectadas. Os efeitos colaterais mais comuns são leves, como dor no local da aplicação, dor de cabeça e cansaço. Casos mais graves são considerados raros, segundo os estudos.
A Secretaria de Estado da Saúde orienta que, neste momento, a vacina contra a dengue não seja administrada junto com outros imunizantes. A recomendação busca facilitar o monitoramento de possíveis reações adversas. Outros tipos de vacina podem ser aplicados após intervalos específicos, dependendo da composição.
Paralelamente à ampliação da vacinação, o Instituto Butantan também conduz novos estudos para expandir o uso do imunizante em outras faixas etárias. Atualmente, estão em andamento testes com voluntários entre 60 e 79 anos.
As autoridades de saúde reforçam que, além da vacinação, a prevenção da dengue depende de medidas como eliminação de água parada e atenção aos sintomas. Entre os principais sinais da doença estão febre alta, dores no corpo, dor atrás dos olhos, mal-estar e manchas na pele.
Com a ampliação da campanha, o governo espera aumentar a cobertura vacinal e reduzir a circulação do vírus no estado, contribuindo para a diminuição de casos graves e mortes relacionadas à dengue.