Polícia Operação Intruder
Polícia Civil e Controladoria de SP fazem operação contra invasores de sistemas de dados públicos
Ação investiga suspeito de extrair e comercializar informações de órgãos estaduais em fóruns clandestinos da internet
09/05/2026 12h00
Por: Redação
Foto: Divulgação/Governo de SP

A Polícia Civil de São Paulo e a Controladoria Geral do Estado deflagraram nesta quinta-feira (7) a Operação Intruder, que investiga o acesso ilegal a sistemas informatizados de órgãos públicos estaduais. A ação tem como alvo um suspeito apontado pelas autoridades como responsável pela extração, armazenamento e possível comercialização de dados sigilosos em ambientes clandestinos da internet.

Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em um data center localizado em Belo Horizonte e também na residência do investigado, na cidade de Belmiro Braga, em Minas Gerais. As diligências contaram com apoio da Polícia Civil mineira.

Segundo a Corregedoria da Polícia Civil paulista, as investigações começaram após a identificação de movimentações suspeitas relacionadas a sistemas institucionais do governo estadual. Informações técnicas indicaram que um profissional da área de tecnologia da informação estaria envolvido na obtenção e negociação de dados extraídos ilegalmente de plataformas públicas.

De acordo com os investigadores, o suspeito teria utilizado softwares maliciosos, conhecidos como malware, além de ferramentas ilegais chamadas “shells”, utilizadas para invasão e manutenção de acessos indevidos a sistemas digitais.

As apurações apontam ainda que os dados obtidos poderiam estar sendo comercializados em fóruns clandestinos voltados à prática de crimes cibernéticos, prática considerada grave pelas autoridades por envolver informações públicas e possíveis riscos à segurança digital do Estado.

O corregedor-geral da Polícia Civil, delegado João Batista Beolchi, informou que o Poder Judiciário autorizou uma série de medidas cautelares com base nas provas reunidas durante a investigação.

Entre as determinações judiciais estão mandados de busca e apreensão, quebra de sigilo telemático e telefônico, além de restrições impostas ao investigado para evitar novos acessos ilegais aos sistemas públicos.

A Justiça determinou ainda monitoramento eletrônico do suspeito, recolhimento domiciliar no período noturno, retenção do passaporte, suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e proibição de utilização de equipamentos com acesso à internet sem autorização judicial.

Segundo a Polícia Civil, as medidas têm como objetivo preservar provas, impedir a continuidade dos crimes e garantir o avanço das investigações.

A atuação conjunta entre a Corregedoria e a Controladoria Geral do Estado busca ampliar a capacidade técnica da investigação, principalmente na análise de sistemas digitais e no rastreamento de possíveis acessos indevidos a bancos de dados públicos.

As autoridades também destacaram que o trabalho integrado permite maior compartilhamento de informações e ajuda na proteção da integridade dos sistemas governamentais.

A Polícia Civil informou que as investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos no esquema e avaliar a extensão do vazamento de informações.

O governo de São Paulo orienta que denúncias relacionadas a crimes digitais ou irregularidades envolvendo servidores e sistemas públicos podem ser feitas de forma anônima pelos canais oficiais, como a plataforma Fala.SP, o Disque Denúncia 181 e o portal Web Denúncia.