O Governo de São Paulo iniciou os estudos para implantação de uma estrutura avançada de supercomputação voltada ao desenvolvimento de inteligência artificial (IA) e processamento de grandes volumes de dados. A iniciativa pretende ampliar a capacidade tecnológica do estado e fortalecer setores estratégicos como saúde, indústria, previsão climática e pesquisa científica.
A proposta está sendo conduzida pela Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) e foi apresentada ao Conselho do Programa de Parcerias em Investimentos do Estado (PPI-SP) durante reunião realizada nesta terça-feira (5). O projeto também envolve discussões com o Conselho Gestor do Programa de Parcerias Público-Privadas e o Conselho Diretor do Programa Estadual de Desestatização.
Segundo o governo paulista, a ideia é criar uma infraestrutura de alta performance capaz de atender universidades, órgãos públicos e empresas privadas, permitindo o desenvolvimento de soluções baseadas em inteligência artificial e análise de dados em larga escala.
O projeto surge em meio à corrida global por investimentos em supercomputadores e centros avançados de processamento. Atualmente, países como Estados Unidos, China e nações europeias concentram grande parte da capacidade mundial nesse setor, enquanto o Brasil ainda possui infraestrutura limitada para aplicações de grande porte.
De acordo com a Secretaria de Parcerias em Investimentos, a falta de capacidade computacional impacta diretamente pesquisas científicas e o avanço de tecnologias ligadas à inteligência artificial, dificultando projetos relacionados à saúde de precisão, modelagem climática, inovação industrial e segurança digital.
O secretário executivo da pasta, Thiago Nunes, afirmou que a iniciativa busca consolidar São Paulo como referência em inovação tecnológica no país.
“O estado já possui um importante ecossistema de tecnologia e pesquisa. O objetivo agora é ampliar essa estrutura com equipamentos de alta capacidade, fundamentais para o desenvolvimento de aplicações modernas em diversas áreas”, afirmou.
O modelo analisado prevê participação conjunta entre o setor público e a iniciativa privada. Para garantir a sustentabilidade financeira do projeto, o governo estadual deverá utilizar parte da capacidade operacional do sistema, enquanto o restante ficará disponível para empresas e centros de pesquisa.
A expectativa é que setores como agronegócio, energia, indústria, mercado financeiro e tecnologia utilizem o sistema para acelerar pesquisas, desenvolver soluções digitais e processar grandes volumes de informações.
Além do treinamento de modelos avançados de inteligência artificial, a estrutura poderá ser usada em estudos meteorológicos de alta precisão, desenvolvimento de medicamentos, análises de comportamento urbano e simulações industriais complexas.
No setor público, o sistema poderá auxiliar áreas como segurança, defesa civil, mobilidade urbana e gestão da saúde, utilizando dados em tempo real para melhorar o planejamento de políticas públicas.
A localização do futuro centro de supercomputação ainda está em avaliação, mas a região de Campinas aparece entre as principais candidatas. O município concentra universidades, centros de pesquisa e infraestrutura tecnológica considerada estratégica para esse tipo de operação.
A escolha final deverá levar em consideração fatores como fornecimento de energia, conectividade e proximidade com polos científicos e tecnológicos.
Com a qualificação do projeto no PPI-SP, a próxima etapa será a elaboração dos estudos técnicos detalhados, seguida por consultas públicas e definição do modelo de contratação da futura estrutura tecnológica.