Um erro operacional cometido por um comissário de bordo da British Airways durante o segundo dia de trabalho do profissional provocou um prejuízo milionário à companhia aérea britânica e atrasou um voo internacional em mais de seis horas no Aeroporto de Heathrow, em Londres.
O incidente aconteceu no último dia 16 de maio, enquanto o voo BA217 se preparava para partir do Terminal 5 com destino a Washington Dulles, nos Estados Unidos. A aeronave envolvida era um Boeing 777-200, modelo utilizado em rotas internacionais de longa distância.
Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, o tripulante acionou acidentalmente o escorregador inflável de emergência da aeronave durante os procedimentos de preparação para decolagem.
O equipamento é utilizado exclusivamente em situações de evacuação rápida de passageiros e tripulantes em casos de emergência, como incêndios, colisões ou pousos forçados.
O acionamento indevido aconteceu enquanto a aeronave já havia iniciado o procedimento de afastamento do portão de embarque. Durante a checagem padrão antes da partida, os pilotos anunciararam o comando “portas no modo automático”, procedimento utilizado para armar os sistemas de evacuação das portas da aeronave.
O objetivo desse comando é deixar as rampas infláveis preparadas para abertura automática em caso de emergência durante o voo ou em solo.
No entanto, o novo comissário interpretou incorretamente a instrução operacional. Em vez de apenas armar a porta, o profissional puxou a alavanca de abertura, acionando automaticamente a rampa inflável de emergência localizada na porta 3L — a terceira porta do lado esquerdo do Boeing.
A abertura repentina do equipamento mobilizou imediatamente equipes de emergência do aeroporto. Seguindo os protocolos de segurança da aviação civil, bombeiros foram acionados para verificar uma possível situação crítica na aeronave.
Após a chegada das equipes, foi constatado que não havia qualquer emergência real no avião e que o acionamento havia ocorrido por erro operacional.
Mesmo sem feridos, o episódio provocou grande impacto operacional para a companhia aérea. O voo precisou retornar ao portão para inspeções de segurança obrigatórias e substituição do sistema inflável acionado.
Segundo estimativas divulgadas pela imprensa especializada em aviação, o prejuízo total causado pelo incidente pode ultrapassar R$ 1,2 milhão.
O valor inclui inspeções técnicas da aeronave, troca do equipamento de emergência, atraso operacional, assistência aos passageiros e compensações relacionadas ao atraso.
Ao todo, 336 passageiros aguardavam o embarque do voo para os Estados Unidos. Durante o período de espera, a companhia precisou fornecer vouchers de alimentação, suporte logístico e assistência prevista nas normas internacionais de aviação.
A decolagem só foi autorizada por volta das 19h, mais de seis horas após o horário inicialmente programado.
Na indústria aeronáutica, esse tipo de ocorrência é conhecido como “acionamento inadvertido do escorregador” — ou ISD, na sigla em inglês.
Segundo a fabricante Airbus, cerca de três ocorrências desse tipo são registradas diariamente em companhias aéreas ao redor do mundo.
Especialistas explicam que a maior parte dos casos está relacionada à fadiga, nervosismo, distração ou falhas operacionais durante os procedimentos de abertura e fechamento das portas da aeronave.
Em muitos episódios, os comissários acabam abrindo portas ainda armadas após a chegada do voo ao destino, o que dispara automaticamente os escorregadores infláveis.
Especialistas em treinamento aeronáutico também apontam que esse tipo de erro pode indicar dificuldades na adaptação prática de novos tripulantes durante os primeiros dias de operação.
Relatórios citados pela imprensa internacional indicam que alguns profissionais desenvolvem uma espécie de “memória muscular” nos treinamentos, associando automaticamente os procedimentos de armar a porta com a abertura imediata do equipamento durante simulações de emergência.
A recorrência de casos semelhantes na British Airways também chamou atenção de especialistas do setor. Nos últimos anos, a companhia registrou outros episódios envolvendo acionamentos indevidos de escorregadores, principalmente com tripulantes recém-contratados.
Apesar do prejuízo financeiro e do atraso operacional, ninguém ficou ferido durante o incidente.
Nas redes sociais, o episódio gerou repercussão entre profissionais da aviação. O comandante aposentado José Correia Guedes, ex-piloto da TAP Air Portugal, comentou o caso afirmando que erros fazem parte da rotina operacional da aviação.
“Todos nós cometemos erros e neste caso ninguém se machucou, a não ser o orgulho do jovem comissário”, escreveu.