As forças de segurança do Estado de São Paulo e órgãos federais deflagraram nesta quinta-feira (28) uma nova fase da Operação Carbono Oculto, batizada de “Fluxo Oculto”, com foco no combate ao crime organizado infiltrado no setor de combustíveis. A ação investiga um esquema envolvendo adulteração de combustíveis, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e atuação de instituições financeiras paralelas utilizadas para movimentações ilegais.
Ao todo, a Justiça expediu 42 mandados de busca e apreensão, cumpridos em diferentes regiões do estado. A operação mobilizou mais de 170 policiais militares e 38 auditores fiscais da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP), além da participação de órgãos estaduais e federais.
A força-tarefa reúne o Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), a Secretaria da Fazenda, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE), a Polícia Militar, a Polícia Civil, a Receita Federal e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Segundo os investigadores, a nova fase aprofunda as apurações sobre o funcionamento financeiro das organizações criminosas envolvidas no esquema. A investigação aponta que grupos ligados ao setor de combustíveis estariam utilizando fintechs como bancos paralelos para movimentar recursos milionários e ocultar operações ilegais.
Durante as investigações, foram identificadas mais seis fintechs supostamente utilizadas pelo grupo criminoso. De acordo com o Ministério Público, essas empresas financeiras atuavam como uma estrutura de compensação interna para distribuidoras e postos de combustíveis ligados ao esquema.
Os investigadores afirmam que as fintechs eram usadas para transferências financeiras entre empresas do setor, fundos de investimento administrados pela organização criminosa, pagamento de colaboradores e até despesas pessoais de integrantes considerados operadores do esquema.
As autoridades também identificaram uma rede voltada ao desvio de nafta petroquímica, substância derivada do petróleo normalmente utilizada como solvente industrial. Segundo a investigação, o produto estaria sendo desviado ilegalmente para terminais e postos de combustíveis, onde seria utilizado para adulteração.
As apurações realizadas em conjunto com a ANP revelaram a existência de uma estrutura baseada em fraudes documentais e empresas de fachada. O esquema simulava vendas de solventes para companhias fantasmas, permitindo ocultar a origem e o destino do material utilizado na adulteração de combustíveis.
Para os investigadores, o avanço das organizações criminosas no mercado formal representa uma ameaça econômica e de segurança pública. A suspeita é que o lucro obtido por meio das fraudes fiscais e da adulteração de combustíveis esteja sendo utilizado para fortalecer financeiramente facções e ampliar a atuação do crime organizado em diferentes setores.
A Operação Carbono Oculto já é considerada uma das maiores ações integradas contra crimes econômicos no setor de combustíveis no estado de São Paulo. Desde as primeiras fases da investigação, autoridades vêm identificando conexões entre empresas de fachada, distribuidoras, operadores financeiros e mecanismos sofisticados de lavagem de capitais.
Segundo o Ministério Público, a nova etapa da operação representa mais um avanço na compreensão da estrutura financeira das organizações investigadas. A expectativa é que os materiais apreendidos nesta quinta-feira, incluindo computadores, celulares, documentos fiscais e registros bancários, ajudem a identificar novos envolvidos e ampliar o rastreamento do fluxo de dinheiro ilícito.
As investigações continuam em andamento e novas fases da operação não estão descartadas. Até o momento, os órgãos envolvidos não divulgaram detalhes sobre prisões ou bloqueios de valores relacionados à ação desta quinta-feira.