No último domingo (7), foi celebrada mais uma edição memorável da tradicional Parada LGBT de São Paulo. A 30ª edição, realizada na capital paulista, contou com um público estimado em 36,8 mil pessoas, segundo cálculo de projeção realizado pelo Monitor do Debate Político da USP.
Ao todo, a celebração contou com 14 trios e reuniu apresentações de mais de 130 artistas de diferentes vertentes e representações dentro da comunidade. Nomes como Pabllo Vittar, Urias, Gloria Groove, Majur, Pepita, Melody, entre outros, fizeram parte deste momento de resistência e reconhecimento social.
A festa, sediada na Avenida Paulista — um dos maiores e mais reconhecidos cartões-postais do país —, como em todos os outros anos, foi sinônimo de muita alegria. Hinos atemporais, entoados a plenos pulmões, danças e as cores da bandeira revestiram a avenida; e, claro, muitos leques davam ritmo às percussões dos trios.
Antes da apresentação no dia da Parada, o posicionamento de alguns artistas chamou atenção nas redes sociais ao questionarem a ausência de patrocinadores na 30ª edição.
A cantora drag queen Pabllo Vittar, por meio de seu perfil no Instagram, questionou a falta de grandes marcas que, em anos anteriores, costumavam patrocinar o evento, mas que não se manifestaram nem colaboraram financeiramente desta vez. De acordo com matéria publicada pelo Estadão, a escassez de patrocínios e discussões políticas internas geraram “debates sobre o formato e segurança da celebração”.
A Parada simboliza o dia em que ocorreu a Revolta de Stonewall, em 1969, quando membros da comunidade LGBT se levantaram em prol do direito de ocupar espaços públicos e na luta por respeito, em frente ao bar Stonewall, em Nova Iorque.
Ao longo dos anos, esse movimento ganhou força e consolidou-se em diversos territórios nacionais e ao redor do mundo. No contexto brasileiro, é esperado anualmente que, para além da tradicional Parada LGBT de São Paulo, o evento ocorra também em outras capitais, como Rio de Janeiro (22 de novembro), Belo Horizonte (19 de julho) e Salvador (6 de setembro).
Preservar movimentos sociais e políticos como este fortalece na comunidade um sentimento de resistência e reconhecimento. Em meio a tanta polarização política e relatos de crimes contra a comunidade LGBT — sobretudo contra pessoas transsexuais e travestis —, é fundamental que a sociedade civil se una em busca da igualdade de direitos, da criação de leis mais severas para quem comete crimes de ódio e de políticas públicas que assegurem dignidade e proteção a essas pessoas.
Que a Parada LGBT seja sempre um espaço para celebrar a vida. E que a caminhada diária de pessoas LGBT+ permaneça sendo construída com brilho e cor, assim como no último domingo.