15°C 22°C
São Paulo, SP

Polícia identifica homem morto em explosão no Tatuapé como Adir Oliveira Mariano

Vítima morava na residência havia pouco mais de um mês; imóvel era usado como depósito de fogos de artifício de forma irregular

Por: Marcos Renan
14/11/2025 às 16h58 Atualizada em 15/11/2025 às 20h49
Polícia identifica homem morto em explosão no Tatuapé como Adir Oliveira Mariano

As investigações da Polícia Civil de São Paulo avançaram nesta sexta-feira (14) e apontaram que o homem encontrado morto após a explosão que destruiu uma residência no Tatuapé, na Zona Leste da capital, na noite de quinta-feira (13), é Adir Oliveira Mariano, de 46 anos. O imóvel, localizado próximo às avenidas Celso Garcia e Salim Farah Maluf, funcionava como um depósito irregular de fogos de artifício, segundo as autoridades. A identificação, embora ainda dependa de exames formais, foi confirmada com base em informações fornecidas por familiares e em detalhes levantados pelo setor de investigação.

A explosão, que resultou na morte de Adir e deixou dez pessoas feridas — algumas gravemente —, também provocou a interdição de ao menos 21 imóveis e gerou um rastro de destruição que abalou moradores de diversas regiões da Zona Leste. O impacto foi tão intenso que o estrondo pôde ser ouvido em bairros distantes até 13 quilômetros do local.

Continua após a publicidade
Anúncio

Investigação aponta que Adir estava sozinho no imóvel no momento da explosão

Durante uma coletiva de imprensa na manhã de sexta-feira, o delegado Felipe Soares, da 5ª Delegacia Seccional Leste, afirmou que todos os indícios apontam que Adir estava sozinho no interior da residência quando a explosão ocorreu. De acordo com o delegado, a polícia trabalha com informações preliminares fornecidas por familiares e vizinhos, além de dados levantados no local da tragédia.

"Até o momento, tudo indica que a vítima era Adir Oliveira Mariano, de 46 anos, que estaria só no imóvel no momento da detonação. O corpo carbonizado encontrado pelo Gate corresponde à pessoa que residia no local recentemente", informou o delegado.

O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), chamado pelos bombeiros por se tratar de um cenário de risco com possível presença de explosivos remanescentes, encontrou o corpo em meio aos escombros. A identificação visual não foi possível devido ao estado da vítima, e um parente que compareceu ao Instituto Médico Legal (IML) não conseguiu reconhecê-lo. Exames de DNA devem confirmar oficialmente a identidade nos próximos dias.

Adir morava na casa havia 40 dias; irmão era responsável pelo aluguel

Investigações revelaram que Adir Oliveira Mariano havia se mudado para a residência há cerca de 40 dias. O imóvel, no entanto, estava alugado havia aproximadamente três meses pelo irmão dele, Alessandro de Oliveira Mariano, que figura como responsável formal pelo contrato de locação. A Polícia Civil apura se Alessandro tinha conhecimento sobre o armazenamento ilegal de fogos de artifício no local ou se o irmão utilizava o espaço de forma independente.

Segundo informações preliminares, a Prefeitura de São Paulo desconhecia totalmente que o imóvel vinha sendo usado como depósito de materiais explosivos. Órgãos de fiscalização, como a Subprefeitura Mooca e o Corpo de Bombeiros, confirmaram que não havia nenhuma licença ou solicitação de alvará para atividades relacionadas ao comércio, manuseio ou guarda de fogos de artifício. A ausência total de documentação reforça a hipótese de operação clandestina.

Vítima tinha histórico de envolvimento com balões ilegais

Adir Oliveira Mariano não era uma figura conhecida pela vizinhança. Moradores afirmaram à polícia que pouco o viam e que sua rotina parecia discreta e reservada. Apesar disso, investigações revelam que Adir tinha duas passagens policiais, registradas em 2011 e 2012, relacionadas à soltura de balões — prática considerada criminosa devido ao alto risco de incêndios. Ele, porém, foi absolvido dessas acusações em 2015.

As redes sociais de Adir também chamaram a atenção dos investigadores. Em seu perfil, várias publicações exaltam a prática da fabricação e soltura de balões, mesmo sendo uma atividade proibida por lei. Em uma das postagens, ele escreveu uma homenagem poética a um amigo falecido, destacando a ligação emocional que mantinha com o hobby ilegal:

“Poucos entendem que por trás de papel, cola, vela e fogo há algo inexplicável; um sentimento de adoração e necessidade nos leva a um lugar único; é um dom abençoado por Deus. Fica a saudade e a alegria de saber que foi uma pessoa especial.”

A publicação reforça, na visão dos investigadores, a hipótese de que Adir estivesse envolvido em atividades clandestinas relacionadas à fabricação ou armazenamento de materiais pirotécnicos.

Estrutura da casa e condições do armazenamento são apuradas

Peritos do Instituto de Criminalística passaram toda a sexta-feira analisando os escombros da residência na tentativa de identificar a origem exata da explosão. A hipótese mais provável é que algum tipo de material pirotécnico tenha se inflamado ou detonado acidentalmente. Entretanto, ainda não se sabe o que teria desencadeado a explosão — se um vazamento, um curto-circuito, manuseio inadequado ou outra situação.

Os especialistas também investigam se o local tinha alguma adaptação irregular que pudesse ter aumentado o risco, como fiação precária, acúmulo de produtos inflamáveis ou armazenamento em condições inadequadas.

O Corpo de Bombeiros reiterou que a presença de fogos destinados à prática de soltura de balões — versão apontada por evidências preliminares — aumenta consideravelmente a probabilidade de acidentes graves, pois esse tipo de material costuma ser produzido sem controle de qualidade e sem as certificações mínimas exigidas pelas normas de segurança.

Vizinhança relata susto e desconhecimento sobre o depósito

Moradores da região relataram momentos de desespero, com janelas estilhaçadas, portas arrancadas e objetos arremessados dentro das casas. Diversas famílias precisaram deixar suas residências após a Defesa Civil interditar ao menos 21 imóveis por risco de colapso estrutural.

A maioria dos vizinhos afirmou não ter conhecimento de que o local funcionava como depósito. Segundo relatos, o movimento na casa era discreto e não levantava suspeitas de que grandes quantidades de fogos estavam armazenadas ali.

"Era uma casa normal, parecia uma residência comum. Nunca imaginamos que guardavam explosivos lá dentro", contou uma moradora que preferiu não se identificar.

Inquérito policial apura responsabilidades

A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar a origem dos explosivos, a legalidade do armazenamento e a eventual participação de outras pessoas, incluindo o proprietário do imóvel, o irmão da vítima e eventuais fornecedores dos materiais.

A investigação deve contar com laudos técnicos, depoimentos de familiares, análise de documentos de aluguel e possíveis registros de transações comerciais envolvendo fogos de artifício.

Equipes continuam na região para apoiar moradores

Nesta sexta-feira, equipes da Defesa Civil, da Enel, da Polícia Militar, da SPTrans e do Corpo de Bombeiros permaneciam no entorno da ocorrência para prestar apoio e orientação aos moradores afetados. A energia foi restabelecida parcialmente na região, e as vias próximas já haviam sido liberadas para tráfego, embora o clima entre os moradores ainda fosse de preocupação e insegurança.


IMPORTANTE AO LEITOR

Detalhes da explosão:
A detonação ocorreu em uma residência usada como depósito irregular de fogos de artifício no Tatuapé, resultando na morte de Adir Oliveira Mariano e deixando dez pessoas feridas. O impacto destruiu imóveis, veículos e causou forte abalo na vizinhança.

Precauções:
Materiais explosivos só podem ser manuseados e armazenados seguindo normas rígidas de segurança, em locais autorizados e fiscalizados. Qualquer irregularidade coloca vidas em risco e pode provocar tragédias de grande proporção.

Legalidade:
Armazenar fogos de artifício em grandes quantidades sem autorização é considerado ilegal no Brasil, podendo resultar em punições, multas e responsabilização criminal.

Situação atual:
As investigações da Polícia Civil continuam em andamento para esclarecer as causas da explosão e identificar eventuais responsáveis.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
São Paulo - SP
São Paulo - SP
Maior cidade do Brasil e principal centro financeiro, econômico e cultural do país. Reconhecida por sua diversidade populacional e intensa vida urbana.
Ver notícias
São Paulo, SP
19°
Tempo nublado
Mín. 15° Máx. 22°
19° Sensação
2.68 km/h Vento
87% Umidade
20% (0.12mm) Chance chuva
06h45 Nascer do sol
17h27 Pôr do sol
Domingo
18° 14°
Segunda
17° 15°
Terça
16° 14°
Quarta
20° 14°
Quinta
20° 12°
Economia
Dólar
R$ 5,06 +0,06%
Euro
R$ 5,85 +0,08%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 344,176,47 +1,01%
Ibovespa
171,132,66 pts -0.21%
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada