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El Niño acende alerta para seca severa e queimadas no Amazonas

O governo do Amazonas decretou emergência climática preventiva por 180 dias para preparar ações contra estiagem, incêndios florestais e redução da disponibilidade de água.

Por: Waleska Cavalcante Fonte: https://portal.inmet.gov.br/noticias/el-ni%C3%B1o-est%C3%A1-de-volta
12/06/2026 às 12h30
El Niño acende alerta para seca severa e queimadas no Amazonas

Com a previsão de intensificação do El Niño nos próximos meses, o Governo do Amazonas decretou Estado de Emergência Climática e Ambiental, em caráter preventivo, pelo período de 180 dias.

A medida antecipa ações de monitoramento, combate às queimadas, apoio a populações vulneráveis e proteção da infraestrutura diante do risco de uma estiagem severa.

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Formalizado por meio do Decreto nº 54.274, o estado de emergência busca preparar os órgãos estaduais para possíveis impactos ambientais, sociais e econômicos associados à seca, aos incêndios florestais, às ondas de calor e à redução da disponibilidade de água.

Segundo o governo, a decisão considera projeções meteorológicas que indicam risco de impactos semelhantes aos registrados durante a seca de 2023.

A medida, no entanto, tem caráter preventivo e não significa que os efeitos ocorrerão da mesma forma em todas as regiões do estado.

O que é o El Niño?

O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Ele faz parte do sistema El Niño-Oscilação Sul, conhecido como Enos.

Esse aquecimento altera padrões de circulação atmosférica e influencia a distribuição de chuvas e temperaturas em várias partes do planeta. 

No Brasil, o fenômeno costuma provocar efeitos diferentes conforme a região.

No Norte e no Nordeste, o El Niño está associado à redução das chuvas, ao aumento do calor e à baixa umidade.

Já na Região Sul, pode favorecer chuvas mais intensas, com maior risco de alagamentos e cheias.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o aquecimento no Pacífico Tropical vinha avançando, com anomalia de +0,7°C na região Niño 3.4 na primeira semana de junho, valor que caracteriza condições de El Niño.

A previsão de modelos climáticos indica possibilidade de fortalecimento do fenômeno até o verão de 2026-2027.

As informações divulgadas apontam 63% de chance de um El Niño muito forte durante o trimestre novembro-dezembro-janeiro.

Por que o Amazonas preocupa?

No Amazonas, os efeitos do El Niño preocupam porque a dinâmica do estado depende diretamente dos rios.

Durante períodos de estiagem severa, a redução do nível das águas pode comprometer a navegação e dificultar o transporte de alimentos, medicamentos, combustíveis e outros insumos.

A seca também pode isolar comunidades ribeirinhas, reduzir o acesso a serviços públicos e afetar o abastecimento de água.

Em um estado onde os rios funcionam como vias de integração, a estiagem impacta diretamente a logística, a economia, a saúde e a rotina das populações mais vulneráveis.

Outro ponto de atenção é o risco de queimadas. Com menos chuva, calor intenso e baixa umidade, os focos de calor tendem a se espalhar com mais facilidade.

A fumaça provocada pelos incêndios pode piorar a qualidade do ar e atingir principalmente crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.

O que muda com o decreto?

Com o decreto preventivo, a Defesa Civil do Amazonas ficará responsável pela coordenação técnica das medidas, incluindo o monitoramento hidrológico e meteorológico, a gestão de riscos e desastres e a produção de informações estratégicas para orientar decisões e alertar a população.

O Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais será responsável por articular as ações entre os órgãos estaduais.

A atuação envolve Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Ipaam, Sepror, SES-AM, FVS-RCP e Seduc-AM.

Segundo o secretário executivo da Defesa Civil do Amazonas, coronel Clóvis Araújo, o decreto permite ao Estado agir de forma mais eficiente e buscar apoio do Governo Federal para complementar as ações locais.

Ele destacou ainda que as defesas civis municipais já foram capacitadas para atualizar seus planos de contingência.

Combate às queimadas

O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas deve intensificar as ações de prevenção, preparação e resposta a incêndios florestais e queimadas.

Nos últimos anos, a corporação ampliou sua estrutura no interior. Entre maio de 2025 e maio de 2026, o número de municípios atendidos por bases permanentes passou de 11 para 24 cidades.

As ações ambientais ficarão sob responsabilidade da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas.

Os órgãos devem reforçar o monitoramento, a fiscalização, a orientação técnica e as medidas de prevenção relacionadas à estiagem, às queimadas e à degradação dos recursos naturais.

De acordo com o material divulgado à imprensa, os órgãos ambientais manterão o painel de monitoramento dos focos de calor e queimadas, além de ações em municípios do sul do Amazonas, região que historicamente concentra índices elevados de desmatamento e queimadas durante o período seco.

Saúde, educação e produção rural

Na saúde, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas e a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas Dra. Rosemary Costa Pinto devem monitorar os efeitos das condições climáticas adversas sobre a população.

Entre as prioridades estão doenças relacionadas ao calor extremo, à escassez de água e à piora da qualidade do ar causada pela fumaça das queimadas.

Na educação, a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar deverá desenvolver ações de conscientização junto à comunidade escolar sobre os riscos dos eventos climáticos extremos.

A pasta também deve adotar medidas para proteger estudantes e profissionais da educação e garantir a continuidade das atividades pedagógicas.

No setor produtivo, a Secretaria de Estado de Produção Rural ficará responsável por ações de monitoramento e planejamento nos setores agropecuário, pesqueiro e aquícola, com orientação técnica a produtores para reduzir prejuízos provocados pela escassez hídrica.

Impactos podem variar

Apesar das projeções, órgãos meteorológicos reforçam que episódios intensos de El Niño não produzem necessariamente os mesmos impactos em todas as regiões.

A intensidade do fenômeno aumenta a probabilidade de alterações nos padrões de temperatura e chuva, mas os efeitos podem variar conforme a interação com outros sistemas atmosféricos.

Quando acionar ajuda

Durante o período de estiagem, a população deve ficar atenta a sinais como aumento da fumaça, piora da qualidade do ar, dificuldade de acesso à água, redução acentuada dos rios, queimadas próximas a comunidades e sintomas como desidratação, falta de ar e irritação nos olhos.

A orientação é acompanhar os alertas oficiais da Defesa Civil, evitar queimadas, economizar água e redobrar os cuidados com crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.

Em caso de emergência, a população pode acionar:

  • Defesa Civil: 199;
  • Polícia/CIOPS: 190;
  • Corpo de Bombeiros: 193.

 

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ThiagoHá 13 horas Rio de JaneiroAlgo muito importante, temos que ajudar as florestas
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Waleska Cavalcante
Waleska Cavalcante
Cultura, audiovisual e sociedade são os eixos centrais desta coluna. O espaço reúne análises, resenhas e matérias sobre cinema, eventos culturais, manifestações artísticas e temas ligados à Amazônia, observando como a cultura reflete e interpreta o mundo contemporâneo.
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