Moradores da Rua Francisco Bueno, no bairro do Tatuapé, zona leste de São Paulo, continuam enfrentando dias de tensão após a explosão que destruiu uma residência na última quinta-feira (13). Mesmo depois de receberem atendimento da assistência social, diversas famílias preferiram permanecer na rua, dormindo em frente às próprias casas, com receio de que seus imóveis, ainda interditados, fossem alvo de furtos.
Segundo relatos de vizinhos, a decisão de permanecer no local foi motivada pelo medo de saqueadores se aproveitarem da vulnerabilidade causada pela destruição. Diante disso, a Polícia Militar reforçou o patrulhamento na região e passou a manter viaturas durante a madrugada, oferecendo apoio até que a área seja totalmente liberada pela Defesa Civil.
A explosão resultou na morte de Adir Mariano, 46 anos, identificado oficialmente no sábado (15) após perícia do Instituto Médico Legal (IML). O corpo foi encontrado entre os escombros da residência onde ocorreu o incidente. Adir era inquilino do imóvel e, segundo investigações iniciais da Polícia Civil, era a única pessoa presente na casa no momento da explosão. Ele trabalhava como baloeiro, atividade que pode envolver materiais inflamáveis, mas a polícia ainda não confirmou a causa da explosão.
A Defesa Civil informou que 13 imóveis continuam interditados devido aos danos estruturais causados pelo impacto. A força da explosão atingiu casas vizinhas, derrubou paredes internas, estourou janelas e provocou rachaduras em construções próximas. Uma nova vistoria está marcada para esta segunda-feira (17), quando será avaliado se parte das famílias poderá retornar às suas residências.
A Prefeitura de São Paulo anunciou que cinco famílias de baixa renda diretamente afetadas receberão um auxílio emergencial de R$ 1.000, pago em parcela única pela Secretaria Municipal de Habitação. O benefício será destinado à reposição de pertences danificados e itens essenciais perdidos na explosão.
De acordo com a gestão municipal, equipes da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) permaneceram no local por dois dias consecutivos, oferecendo acolhimento em abrigos e distribuindo colchões, cobertores, cestas básicas e kits de higiene. No entanto, todas as famílias atendidas preferiram recusar o abrigo institucional.
Moradores afirmam que, apesar do esforço da prefeitura, a sensação de insegurança é o que mais pesa na decisão de permanecer na rua. Muitos acreditam que só retornarão à rotina quando houver uma definição clara sobre a estabilidade das construções e sobre a causa da explosão.
Enquanto isso, a Polícia Científica segue analisando os materiais recolhidos no local. A investigação tenta determinar se produtos inflamáveis ou vazamento de gás podem ter contribuído para o ocorrido. A confirmação da identidade de Adir reforça a principal linha de investigação, mas os peritos afirmam que o laudo final ainda levará alguns dias para ser concluído.