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Polícia Civil cumpre 31 ordens judiciais em São Paulo e investiga esquema milionário de tráfico de drogas

Associação criminosa usava toneladas de cafeína para adulterar cocaína e teria movimentado mais de R$ 25 milhões, segundo a Polícia Civil

Por: Marcos Renan
17/12/2025 às 15h29
Polícia Civil cumpre 31 ordens judiciais em São Paulo e investiga esquema milionário de tráfico de drogas
Foto: Divulgação/Governo de SP

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, na manhã desta quarta-feira (17), uma ampla operação para desarticular uma associação criminosa suspeita de atuar em um esquema milionário de tráfico de drogas, envolvendo a compra de grandes quantidades de cafeína utilizada como insumo para adulterar e multiplicar a produção de cocaína. Ao todo, estão sendo cumpridas 31 ordens judiciais na capital paulista e na região metropolitana, incluindo mandados de prisão temporária e de busca e apreensão.

De acordo com as investigações, o grupo criminoso adquiriu cerca de 81 toneladas de cafeína ao longo de pouco mais de um ano, insumo que, misturado ao cloridrato de cocaína e a outros produtos químicos, permitia quadruplicar o volume final da droga comercializada. A movimentação financeira estimada pela polícia ultrapassa R$ 25 milhões, valor que teria sido obtido com a venda da cocaína adulterada em diferentes regiões do país.

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A ação policial é coordenada pela 1ª Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), vinculada ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Segundo a Polícia Civil, estão sendo cumpridos 27 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão temporária. Até o fim da manhã, duas pessoas haviam sido presas, uma em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo, e outra na zona oeste da capital.

As investigações tiveram início entre os meses de setembro e outubro, quando um homem foi preso em flagrante em Guarulhos, na região metropolitana, transportando mais de meia tonelada de cafeína. À época, o volume chamou a atenção dos investigadores, que passaram a aprofundar o trabalho de inteligência para entender a real finalidade da substância.

Com o avanço das apurações, os policiais identificaram que a cafeína não era destinada a fins comerciais lícitos, mas sim utilizada como insumo no preparo e na adulteração de cocaína. A substância é conhecida no meio criminoso por potencializar os efeitos da droga e aumentar significativamente o volume final, elevando os lucros do tráfico.

Segundo a Polícia Civil, entre março de 2024 e outubro de 2025, a organização criminosa desembolsou aproximadamente R$ 11,7 milhões apenas na compra das cargas de cafeína. O esquema envolvia pessoas físicas e empresas de fachada, criadas exclusivamente para mascarar as transações e dificultar o rastreamento do dinheiro. As investigações apontam ainda a existência de sócios ocultos, responsáveis por operar o esquema à distância e tentar burlar a fiscalização.

A partir do cruzamento de dados bancários, fiscais e de movimentação logística, os investigadores estimam que as 81 toneladas de cafeína, misturadas a outros insumos e ao cloridrato de cocaína, possibilitaram a produção de pelo menos 320 toneladas da droga adulterada. Esse volume abasteceu pontos de venda na capital paulista e na Grande São Paulo, além de ter sido distribuído para outros estados, como Paraná e Rio de Janeiro.

Durante o cumprimento dos mandados na manhã desta quarta-feira, os policiais apreenderam 12 veículos, entre carros de passeio e utilitários, duas motocicletas, valores em dinheiro ainda não contabilizados, diversos aparelhos celulares e duas armas de fogo. Entre as armas apreendidas estão uma pistola e uma metralhadora, o que reforça, segundo a polícia, o grau de organização e periculosidade do grupo investigado.

A operação conta com o apoio de outras delegacias especializadas da Dise e de equipes do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope), unidade responsável por ações de maior complexidade no combate ao crime organizado em São Paulo. A atuação conjunta visa garantir a segurança dos agentes e a efetividade no cumprimento das ordens judiciais expedidas pela Justiça.

De acordo com a Polícia Civil, o caso será formalmente registrado na 1ª Dise como tráfico de drogas e associação criminosa. As investigações continuam em andamento e não estão descartadas novas prisões ao longo do dia, à medida que os materiais apreendidos forem analisados e novos elementos forem incorporados ao inquérito.

Os investigadores agora se concentram na análise dos celulares, computadores e documentos apreendidos durante a operação. A expectativa é que os dados revelem a estrutura completa da organização criminosa, incluindo rotas de distribuição, identificação de fornecedores, intermediários financeiros e possíveis conexões com outros grupos ligados ao tráfico interestadual de drogas.

A Polícia Civil também trabalha para identificar a origem exata da cafeína adquirida pela quadrilha e verificar se empresas fornecedoras tinham conhecimento do uso ilícito do produto ou se foram enganadas por meio das empresas fantasmas criadas pelo grupo. A substância, apesar de lícita, é controlada e seu comércio em grandes volumes costuma ser monitorado pelas autoridades.

O caso evidencia uma estratégia cada vez mais comum adotada por organizações criminosas: o uso de insumos legais para potencializar a produção de drogas ilícitas, dificultando a detecção e ampliando os lucros. Para a polícia, o desmantelamento desse tipo de esquema é fundamental para enfraquecer financeiramente o tráfico e reduzir sua capacidade de atuação em larga escala.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que novas informações poderão ser divulgadas ao longo do dia, conforme o avanço da operação e a consolidação dos dados obtidos nas diligências. A Polícia Civil reforça que denúncias anônimas podem contribuir com as investigações e ajudar na identificação de outros envolvidos.

A ofensiva desta quarta-feira é considerada uma das mais relevantes do ano no combate ao tráfico de drogas em São Paulo, tanto pelo volume de substâncias envolvidas quanto pela complexidade financeira do esquema criminoso investigado.

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