
Um laudo elaborado pela Polícia Federal confirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é portador de hérnia inguinal bilateral, condição médica que demanda reparo cirúrgico em caráter eletivo. O documento foi concluído nesta sexta-feira (19), após perícia médica realizada no complexo da Superintendência Regional da Polícia Federal, em Brasília, na quarta-feira (17).
A avaliação foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no contexto de uma apuração que analisa a real necessidade de uma eventual intervenção cirúrgica alegada pela defesa do ex-mandatário. Além da perícia presencial, Moraes também solicitou o envio e a análise de exames e laudos médicos apresentados pelos advogados de Bolsonaro, que foram examinados por peritos da Polícia Federal.
De acordo com a conclusão da Junta Médica Pericial, a condição de saúde identificada exige cirurgia, porém sem caracterização de urgência imediata, sendo classificada como procedimento eletivo. Ainda assim, o laudo reconhece a existência de duas hérnias inguinais, conforme já apontado em exames apresentados pela defesa, incluindo um ultrassom realizado no último domingo (14).
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, tomada na segunda-feira (15), integra os desdobramentos da execução penal decorrente da condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão, em regime inicial fechado. Dentro desse contexto, o STF avalia pedidos da defesa relacionados às condições de saúde do ex-presidente e à viabilidade de realização de procedimentos médicos fora do ambiente prisional.
Os advogados de Bolsonaro solicitaram autorização judicial para a realização urgente da cirurgia, argumentando que o procedimento não pode ser executado em unidades prisionais e que o quadro clínico demanda acompanhamento hospitalar adequado. Segundo a equipe médica que acompanha o ex-presidente, o tempo estimado de internação após a cirurgia varia entre cinco e sete dias, a depender da evolução do quadro pós-operatório.
A análise conduzida pela Polícia Federal levou em consideração tanto os exames apresentados pela defesa quanto a avaliação clínica realizada durante a perícia. O objetivo, segundo o STF, é assegurar que qualquer decisão judicial relacionada à saúde do ex-presidente seja baseada em critérios técnicos e médicos, respeitando os parâmetros legais e os direitos do condenado.
A hérnia inguinal é uma condição relativamente comum, caracterizada pelo deslocamento de parte do tecido abdominal através de uma região enfraquecida da musculatura. Em casos bilaterais, como o identificado em Bolsonaro, a recomendação cirúrgica é frequente, especialmente quando há risco de agravamento do quadro ou comprometimento da qualidade de vida do paciente.
Apesar da indicação médica para o reparo cirúrgico, o laudo não aponta risco iminente de morte, o que reforça a classificação do procedimento como eletivo. Caberá agora ao Supremo Tribunal Federal avaliar o pedido da defesa à luz do laudo da Polícia Federal e decidir se autoriza ou não a realização da cirurgia fora do sistema prisional.
O caso segue sob análise do STF, e novas decisões podem ser tomadas nos próximos dias, conforme o andamento da execução penal e a manifestação das partes envolvidas.