
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi submetido a uma cirurgia na manhã desta quinta-feira (25/12), no hospital particular DF Star, em Brasília, para corrigir duas hérnias inguinais. O procedimento teve início por volta das 9h, conforme informou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em suas redes sociais. A internação e a cirurgia ocorrem após autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que permitiu que Bolsonaro deixasse temporariamente a Superintendência da Polícia Federal, onde cumpre pena desde novembro.
Bolsonaro deu entrada no hospital na manhã de quarta-feira (24/12), sob forte esquema de segurança. Esta foi a primeira vez que o ex-presidente deixou a carceragem da Polícia Federal desde sua prisão, em 22 de novembro. A transferência ocorreu após avaliação médica e apresentação de laudos que indicaram a necessidade do procedimento cirúrgico, considerado eletivo, mas recomendado diante do agravamento do quadro clínico.
Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, a internação ocorre sob vigilância permanente. Dois agentes da Polícia Federal acompanham Jair Bolsonaro 24 horas por dia dentro do hospital, enquanto equipes de segurança permanecem de prontidão nas áreas interna e externa da unidade de saúde. A medida, segundo o STF, visa garantir tanto a segurança do ex-presidente quanto o cumprimento das condições judiciais impostas durante o período fora da custódia da PF.
A cirurgia para correção de hérnias inguinais soma-se a um histórico de intervenções médicas enfrentadas por Bolsonaro desde o atentado a faca sofrido durante a campanha presidencial de 2018, em Juiz de Fora (MG). Desde então, o ex-presidente passou por diversos procedimentos relacionados a complicações abdominais, aderências e dores recorrentes, além de internações frequentes ao longo dos últimos anos.
Apesar do contexto médico, o momento também foi marcado por um forte componente político. Antes de acompanhar a cirurgia do pai, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) falou com a imprensa do lado de fora do hospital e leu uma carta assinada por Jair Bolsonaro. No documento, o ex-presidente confirma a indicação do filho mais velho como pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026.
Na carta, Bolsonaro afirma que tomou a decisão diante do que classifica como um cenário de injustiças e perseguições políticas. “Ao longo da minha vida tenho enfrentado duras batalhas, pagando um preço alto, com minha saúde e minha família, para defender aquilo que acredito ser o melhor para o nosso Brasil”, escreveu o ex-presidente. Em outro trecho, ele reforça que a escolha de Flávio busca preservar a representatividade de seus eleitores e manter vivo o projeto político iniciado em sua trajetória.
“Diante desse cenário de injustiça, e com o compromisso de não permitir que a vontade popular seja silenciada, tomo a decisão de indicar o Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República em 2026”, diz o texto lido pelo senador. Bolsonaro ainda afirma que entrega “o que há de mais importante na vida de um pai: o próprio filho”, como forma de manter ativa a chama de seus apoiadores e do que chama de defesa do Brasil.
A indicação de Flávio Bolsonaro como pré-candidato já havia sido revelada anteriormente, no início de dezembro, por meio de reportagem publicada pelo portal Metrópoles. A leitura pública da carta, no entanto, deu caráter oficial à decisão e marcou um gesto simbólico em meio à internação do ex-presidente, reforçando a estratégia política da família Bolsonaro para o próximo ciclo eleitoral.
A presença da imprensa em frente ao hospital e a divulgação do conteúdo da carta transformaram a internação em um ato de repercussão nacional, misturando saúde, Judiciário e política. Aliados do ex-presidente interpretaram o gesto como uma tentativa de demonstrar continuidade política, mesmo diante das restrições impostas pela Justiça. Já críticos apontaram o episódio como uma instrumentalização política de um momento médico delicado.
Até o momento, não foram divulgados boletins médicos detalhados sobre a duração do procedimento ou o tempo estimado de recuperação. A expectativa é de que Bolsonaro permaneça internado pelos próximos dias, sob observação médica, antes de retornar à custódia da Polícia Federal, conforme determinação judicial.
O STF ainda não informou se haverá novas condições ou avaliações após a alta hospitalar. A defesa do ex-presidente sustenta que a cirurgia é necessária para preservar sua saúde e evitar complicações futuras, enquanto reforça que todas as medidas estão sendo cumpridas conforme decisão judicial.
O episódio ocorre em um contexto de forte tensão política e institucional no país, com Jair Bolsonaro no centro de debates sobre seu futuro jurídico e político. Mesmo afastado do cargo e enfrentando restrições legais, o ex-presidente segue exercendo influência sobre parte significativa do eleitorado, o que mantém seus movimentos e declarações sob constante atenção pública.
A cirurgia desta quinta-feira, portanto, marca não apenas um novo capítulo na saúde de Jair Bolsonaro, mas também um momento simbólico de reposicionamento político da família, em meio às disputas que já começam a desenhar o cenário eleitoral de 2026.



Aviso: Esse texto contèm informações e fotos do Metrópoles