
Catadores e cooperativas de reciclagem foram protagonistas de uma iniciativa que uniu sustentabilidade, geração de renda e impacto social durante o Carnaval de 2026 em São Paulo. Ao longo do período festivo, a operação conhecida como “Bloco da Reciclagem” resultou na comercialização de 32,6 toneladas de materiais recicláveis, movimentando mais de R$ 119 mil dentro da cadeia da economia circular.
A ação ocorreu em diferentes momentos do calendário carnavalesco, incluindo o pré-Carnaval, os dias oficiais de folia e o pós-Carnaval. As atividades começaram nos dias 7 e 8 de fevereiro, na região da Consolação, e seguiram entre 14 e 17 de fevereiro, além dos dias 21 e 22, com foco na região do Ibirapuera. A iniciativa demonstrou, na prática, o potencial econômico da reciclagem quando há organização e integração entre trabalhadores e empresas do setor.
A operação foi coordenada pela Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis, em parceria com a Ambev e a Ecourbis, contando ainda com apoio institucional da Prefeitura de São Paulo. O modelo adotado priorizou o protagonismo dos catadores, responsáveis por todas as etapas do processo, desde a coleta até a comercialização dos materiais.
Durante a operação, itens como latas de alumínio, garrafas PET, plásticos e copos descartáveis foram recolhidos e direcionados para triagem. Em vez de serem descartados em aterros sanitários, esses resíduos retornaram ao ciclo produtivo por meio da venda para empresas recicladoras, entre elas Novelis, Latasa e o Hub do Plástico.
Todo o material coletado passou inicialmente pela cooperativa Coopere Centro, responsável pela triagem inicial. Em seguida, foi encaminhado à Casa do Catador, que coordenou as etapas finais e a comercialização dos resíduos. Esse modelo garantiu maior organização e valorização do trabalho dos catadores envolvidos.
Os recursos obtidos com a venda dos materiais serão integralmente destinados às cooperativas participantes, fortalecendo sua estrutura e ampliando a geração de renda. Do total arrecadado, mais de R$ 45 mil serão destinados à Coopamare, enquanto a Casa do Catador e a Cooperpoba receberão valores próximos a R$ 28 mil cada. Já a Coopere Centro ficará com cerca de R$ 16 mil.
Esse modelo de distribuição reforça a lógica da economia circular, na qual os recursos gerados permanecem dentro da própria cadeia produtiva, beneficiando diretamente os trabalhadores que atuam na coleta e reaproveitamento de resíduos. Além do impacto econômico, a iniciativa contribui para a redução de lixo nas ruas e para a diminuição de danos ambientais.
Para representantes do setor, os resultados evidenciam que a reciclagem vai além de uma prática ambiental, sendo também uma atividade econômica relevante nas grandes cidades. A organização dos catadores em cooperativas e sua conexão com o mercado reciclador são apontadas como fatores essenciais para o sucesso de iniciativas desse tipo.
Outro ponto destacado é o papel de grandes eventos como o Carnaval na geração de resíduos e, ao mesmo tempo, como oportunidade para implementar soluções sustentáveis. A operação mostrou que, com planejamento e integração entre diferentes atores — como poder público, empresas e cooperativas, é possível transformar um desafio ambiental em geração de renda e inclusão social.
A participação de entidades como o Instituto Rede CataSampa e movimentos ligados à defesa dos catadores também foi fundamental para o desenvolvimento da ação. Essas organizações atuam no fortalecimento da categoria e na promoção de políticas públicas voltadas à valorização dos trabalhadores da reciclagem.
Além disso, empresas do setor destacaram que iniciativas como o Bloco da Reciclagem ajudam a identificar desafios logísticos e a aprimorar processos de gestão de resíduos em larga escala. A experiência contribui para o desenvolvimento de soluções mais eficientes e sustentáveis, especialmente em eventos de grande porte.
A operação também reforça a importância da conscientização da população sobre o descarte correto de resíduos. Apesar dos avanços na coleta seletiva, ainda há desafios relacionados ao comportamento da sociedade, como o descarte inadequado de materiais e o desrespeito aos dias de coleta.
Com resultados expressivos, o projeto consolida o papel dos catadores e das cooperativas como agentes fundamentais na gestão de resíduos urbanos. Mais do que contribuir para a limpeza da cidade, esses profissionais desempenham uma função essencial na construção de um modelo econômico mais sustentável, baseado no reaproveitamento de materiais e na geração de oportunidades.