
Autoridades de saúde de diferentes países intensificaram o monitoramento de passageiros e tripulantes ligados ao navio de cruzeiro MV Hondius após a confirmação de casos de hantavírus durante uma viagem internacional iniciada na Argentina.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta quinta-feira (7) que cinco infecções confirmadas já foram registradas entre pessoas relacionadas à embarcação. O episódio mobilizou governos da Europa, África, América do Norte e Ásia diante do temor de disseminação internacional do vírus.
Até o momento, três mortes foram confirmadas: um casal holandês e um cidadão alemão.
O primeiro caso suspeito identificado foi o de um homem holandês de 70 anos que apresentou sintomas enquanto estava no navio. Segundo autoridades da África do Sul, ele desenvolveu febre, dores de cabeça, dores abdominais e diarreia antes de morrer a bordo em 11 de abril.
A esposa dele, uma mulher holandesa de 69 anos, também foi infectada e morreu posteriormente após ser transferida para um hospital em Joanesburgo.
O terceiro óbito confirmado foi de um cidadão alemão.
O navio MV Hondius partiu de Ushuaia, na Argentina, no dia 20 de março, em direção ao Atlântico Sul. A embarcação transportava passageiros de 23 países diferentes.
Segundo a operadora Oceanwide Expeditions, 146 pessoas continuam a bordo sob rígidas medidas de precaução sanitária.
Parte dos passageiros desembarcou anteriormente na ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul, enquanto outros casos graves foram removidos por via aérea para hospitais europeus.
A previsão é que o navio chegue às Ilhas Canárias, na Espanha, neste domingo (10), antes do retorno definitivo dos passageiros aos seus países de origem.
Diversas nações passaram a acompanhar passageiros que estiveram no cruzeiro ou tiveram contato com pessoas infectadas.
Três passageiros evacuados do navio chegaram ao país para tratamento médico, incluindo:
Um cidadão britânico;
Um alemão de 65 anos;
Um tripulante holandês de 41 anos.
Dois deles estão em estado grave.
Autoridades holandesas também investigam uma possível infecção em uma funcionária da companhia aérea KLM, que teve contato com uma das vítimas durante voo internacional.
Um britânico que apresentou sintomas a bordo segue internado em uma UTI em Joanesburgo. Segundo a OMS, o estado de saúde dele apresenta melhora gradual.
Um passageiro que desembarcou anteriormente do cruzeiro testou positivo e recebe tratamento em Zurique.
A Agência de Segurança de Saúde britânica monitora sete cidadãos ligados ao navio. Dois permanecem em isolamento domiciliar preventivo.
Autoridades sanitárias acompanham passageiros em diversos estados, incluindo Virgínia, Texas, Geórgia, Arizona e Califórnia.
Até agora, nenhum deles apresentou sintomas graves.
Dois homens na faixa dos 60 anos estão em autoisolamento enquanto aguardam resultados de exames.
Três pessoas seguem isoladas, incluindo uma que sequer participou do cruzeiro, mas viajou no mesmo voo de retorno de passageiros infectados.
Oito franceses foram identificados como contatos próximos de um caso confirmado após compartilharem um voo entre Santa Helena e Joanesburgo.
Um deles apresenta sintomas leves.
Apesar da preocupação internacional, a OMS afirmou que não existe, até o momento, evidência de risco de transmissão em larga escala semelhante ao ocorrido durante a pandemia de Covid-19.
O surto está relacionado à variante Andes do hantavírus, considerada rara, mas capaz de provocar doenças graves e, em casos específicos, transmissão entre humanos por contato próximo.
As autoridades trabalham com a hipótese de que o casal holandês tenha sido infectado antes mesmo de embarcar no cruzeiro.
Segundo a OMS, os dois passaram por áreas da Argentina, Chile e Uruguai conhecidas pela presença de roedores que carregam o vírus.
As investigações apontam que o casal visitou regiões consideradas endêmicas para hantavírus, como Neuquén e Misiones, na Argentina.
Equipes argentinas agora realizam captura e análise de roedores para tentar identificar a origem exata das infecções.
O hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com fezes, urina ou saliva de roedores contaminados.
Os sintomas iniciais podem incluir:
Febre;
Dor muscular;
Dor abdominal;
Dor de cabeça;
Cansaço intenso;
Problemas respiratórios.
Em casos graves, a doença pode evoluir rapidamente para insuficiência pulmonar e levar à morte.
O período de incubação costuma variar entre uma e seis semanas, dificultando a identificação imediata da origem da infecção.
A OMS informou que segue coordenando ações internacionais de rastreamento de contatos e monitoramento dos passageiros.
As autoridades sanitárias trabalham para identificar todos que tiveram contato direto ou indireto com pessoas infectadas durante a viagem do MV Hondius, enquanto os exames laboratoriais continuam em diferentes países.