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Viajar dentro de São Paulo pode custar até 130% mais caro do que ir para outros estados, aponta levantamento

Estudo da AFMOB mostra que viagens intermunicipais paulistas têm custo por quilômetro superior ao de rotas interestaduais semelhantes

Por: Redação
29/05/2026 às 18h51
Viajar dentro de São Paulo pode custar até 130% mais caro do que ir para outros estados, aponta levantamento
Foto de Nathaniel Noir, Alamy Stock Photo

Viajar de ônibus dentro do estado de São Paulo pode sair muito mais caro do que fazer trajetos para outros estados brasileiros, mesmo quando as distâncias percorridas são semelhantes. É o que aponta um levantamento realizado pela Associação Brasileira pelo Futuro da Mobilidade (AFMOB), que identificou diferenças de até 130% no valor proporcional das passagens rodoviárias intermunicipais paulistas em comparação com viagens interestaduais.

O estudo analisou 20 rotas rodoviárias dentro do estado de São Paulo e comparou os preços das passagens com trajetos equivalentes para outros estados, considerando distâncias semelhantes em quilômetros percorridos.

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Segundo a entidade, o resultado revelou um padrão recorrente: passageiros pagam significativamente mais caro para viajar entre cidades paulistas do que para destinos em estados como Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Entre os exemplos destacados pela pesquisa estão os trajetos entre São Paulo e São José do Rio Preto e a rota São Paulo–Rio de Janeiro.

Embora as viagens tenham distâncias próximas, o custo proporcional por quilômetro apresentou diferença relevante.

Enquanto a viagem interestadual para a capital fluminense custa, em média, cerca de R$ 0,25 por quilômetro rodado, o trecho intermunicipal paulista supera R$ 0,34 por quilômetro.

O mesmo cenário aparece na comparação entre os trajetos São Paulo–Presidente Prudente e São Paulo–Belo Horizonte.

Segundo o levantamento, em média, as viagens intermunicipais realizadas dentro do estado paulista podem custar entre 75% e 130% mais por quilômetro do que rotas interestaduais equivalentes.

A AFMOB afirma que a análise utilizou como base as tarifas máximas autorizadas pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (ARTESP) e os preços médios praticados atualmente pelas empresas do setor rodoviário.

De acordo com a entidade, um dos principais fatores que ajudam a explicar a diferença de preços é o nível de concorrência existente em cada mercado.

Nas linhas interestaduais, há maior disputa entre empresas operadoras, o que tende a pressionar os preços para baixo e ampliar as opções disponíveis aos passageiros.

Já no transporte intermunicipal paulista, a concentração de empresas em determinadas rotas é maior, reduzindo a competitividade e impactando diretamente os valores cobrados nas passagens.

O levantamento reacende discussões sobre o modelo de concessões do transporte rodoviário no estado de São Paulo e o impacto da regulação sobre os preços pagos pelos consumidores.

Especialistas do setor apontam que mercados com menor concorrência costumam apresentar tarifas mais elevadas, principalmente em linhas consideradas estratégicas ou de alta demanda.

Além do custo das passagens, passageiros também relatam dificuldades relacionadas à oferta de horários, qualidade dos serviços e ausência de opções mais acessíveis em determinadas regiões do estado.

A diferença de preços ganha ainda mais relevância diante do cenário econômico atual, marcado pelo aumento do custo de vida e pela busca de alternativas mais baratas de deslocamento.

Em muitos casos, viagens de longa distância para outros estados acabam se tornando financeiramente mais vantajosas do que deslocamentos internos dentro de São Paulo.

O transporte rodoviário continua sendo um dos principais meios de locomoção no Brasil, especialmente para trabalhadores, estudantes e passageiros que dependem de viagens frequentes entre cidades.

Segundo dados do setor, milhões de pessoas utilizam ônibus intermunicipais diariamente no estado de São Paulo, considerado o maior mercado rodoviário do país.

A AFMOB defende que o debate sobre mobilidade e concorrência no transporte rodoviário precisa avançar para ampliar a competitividade e garantir tarifas mais acessíveis à população.

Até o momento, a ARTESP não comentou oficialmente os resultados apresentados no levantamento.

 

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