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Intoxicação em áreas marítimas de Salvador afeta a atuação pesqueira e turística.

Relatório apresentado pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) aponta índices elevados de ferro, cobre e zinco.

Por: Guilherme Moreira Oliveira
15/06/2026 às 19h07
Intoxicação em áreas marítimas de Salvador afeta a atuação pesqueira e turística.
Foto: Arquivo pessoal/G1 Bahia

A faixa litorânea de São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, foi centro de pesquisas decorrentes da observação de alterações químicas derivadas de metais pesados — tóxicos para a fauna marinha e para o ser humano.
Segundo relatório divulgado pelo Inema, a coleta desses materiais em animais marinhos da região levantou a hipótese de que o mar, no entorno da cidade, estaria passando por um processo complexo de intoxicação, atingindo sobretudo a vida marinha — o que é considerado um desastre ambiental para a região.

Por meio do Decreto nº 41.834, a Prefeitura de Salvador oficializou situação de emergência na região marítima de São Tomé de Paripe, localizada no Subúrbio Ferroviário. O decreto associa, diretamente, as empresas Gerdau e Intermarítima à responsabilidade pela liberação desses materiais químicos tóxicos na localidade.

A região de São Tomé de Paripe é um forte berço da cultura pesqueira, garantindo o sustento de centenas de famílias. Com a promulgação do decreto — que classifica a praia como imprópria para pesca e banho por cerca de 90 dias —, a economia local foi atingida diretamente, gerando dificuldades para a manutenção básica das famílias que dependem da atividade.

Decorrente dos agravantes da situação ambiental e social promovidos por esta intoxicação, o Ministério Público confirmou tratar-se de uma emergência e que medidas precisariam ser adotadas para minimizar os impactos. A prefeitura e outros órgãos públicos prontificaram-se a intensificar os cuidados e orientações a quem tem sido prejudicado, oferecendo suporte e assistência básica à população pesqueira.

Em entrevista ao G1 Bahia, em maio deste ano, o presidente da Associação de Pescadores e Marisqueiras do Subúrbio, Reinaldo Jorge Cirne, relatou que os pescadores têm buscado outras fontes de renda, como “catar lata, papelão e fazer reciclagem para sobreviver”.

Este problema ambiental é comum em locais onde a indústria química se instala, sobretudo próxima a áreas naturais. A Secretaria Municipal de Saúde enfatiza os perigos decorrentes do contato direto ou da ingestão de alimentos contaminados, que podem causar irritações cutâneas e gastrointestinais.

Para evitar a proliferação e o aumento do número de casos, a Secretaria Municipal de Saúde adverte que é de extrema importância seguir os protocolos:
* Evitar consumir peixes e mariscos capturados na área;
* Evitar contato direto (banho ou pesca) com a água do mar na região sob investigação;
* Buscar assistência médica imediata em caso de aparecimento de manchas na pele, coceira, náuseas ou dificuldades respiratórias após contato com a área contaminada.

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