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Tabata Amaral vota contra PEC que reduz maioridade penal para 16 anos na CCJ da Câmara

Deputada do PSB se posicionou contra a proposta durante análise na Comissão de Constituição e Justiça; tema segue dividindo opiniões no Congresso e na sociedade

Por: Marcos Renan Fonte: Diário 360
16/06/2026 às 08h03
Tabata Amaral vota contra PEC que reduz maioridade penal para 16 anos na CCJ da Câmara
Foto: Bruno Spada/Agência Câmara

A deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) votou contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos durante discussão realizada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. A posição da parlamentar voltou a gerar debates nas redes sociais e entre defensores e críticos da medida.

 

A proposta busca permitir que adolescentes de 16 e 17 anos possam responder criminalmente como adultos em determinadas situações, alterando o atual entendimento previsto na Constituição Federal. Atualmente, menores de 18 anos são submetidos às medidas socioeducativas estabelecidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

 

Durante a análise da matéria, Tabata Amaral manteve o posicionamento que já havia manifestado em outras oportunidades sobre o tema. A deputada argumenta que a redução da maioridade penal não representa uma solução efetiva para a criminalidade e defende investimentos em educação, prevenção à violência e fortalecimento das políticas públicas voltadas à juventude.

 

O debate sobre a redução da maioridade penal é um dos mais antigos e controversos da política brasileira. De um lado, apoiadores da proposta afirmam que adolescentes de 16 e 17 anos possuem capacidade de compreender as consequências de seus atos e, por isso, deveriam responder criminalmente de forma semelhante aos adultos em casos de crimes graves.

 

Os defensores da medida também argumentam que a legislação atual pode ser utilizada por organizações criminosas para recrutar menores de idade, que estariam sujeitos a punições diferentes das aplicadas aos maiores de 18 anos. Segundo esse entendimento, a mudança contribuiria para aumentar a sensação de justiça e fortalecer o combate à criminalidade.

 

Por outro lado, especialistas em segurança pública, juristas e entidades ligadas à proteção da infância sustentam que a redução da maioridade penal não teria impacto significativo na diminuição dos índices de violência. Para esse grupo, o foco deveria estar na prevenção, na educação e na melhoria das oportunidades oferecidas aos jovens em situação de vulnerabilidade social.

 

A discussão também envolve questões constitucionais e sociais. Diversos estudos apontam que a participação de adolescentes em crimes violentos representa uma parcela menor do total de ocorrências registradas no país. Além disso, críticos da proposta afirmam que o sistema prisional brasileiro enfrenta problemas estruturais e que a inclusão de jovens nesse ambiente poderia aumentar os índices de reincidência criminal.

 

A votação na CCJ representa apenas uma das etapas da tramitação da PEC. Caso avance, o texto ainda precisará passar por comissão especial e ser votado em dois turnos pelo plenário da Câmara dos Deputados. Em seguida, a proposta também deverá ser analisada pelo Senado Federal.

 

Nas redes sociais, a posição de Tabata Amaral provocou reações divergentes. Enquanto apoiadores da deputada elogiaram sua postura e defenderam a manutenção da legislação atual, críticos afirmaram que a medida seria necessária para enfrentar o aumento da criminalidade e responsabilizar adolescentes envolvidos em crimes graves.

 

A discussão ocorre em um momento em que a segurança pública permanece entre as principais preocupações da população brasileira. Pesquisas de opinião realizadas ao longo dos últimos anos indicam que uma parcela significativa dos brasileiros apoia a redução da maioridade penal, embora o tema continue gerando forte divergência entre especialistas e representantes políticos.

 

Independentemente do posicionamento adotado, a votação na CCJ reforça que a proposta continuará sendo alvo de intensos debates no Congresso Nacional. A expectativa é que novas discussões ocorram nas próximas etapas da tramitação, envolvendo parlamentares, especialistas e representantes da sociedade civil.

 

O tema segue como um dos assuntos mais sensíveis da agenda legislativa brasileira, reunindo argumentos relacionados à segurança pública, direitos dos adolescentes, prevenção da violência e funcionamento do sistema de justiça criminal. Enquanto a proposta avança em sua tramitação, o debate sobre a responsabilidade penal de adolescentes permanece aberto e sem consenso entre os diversos setores da sociedade.

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