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O endividamento das famílias no Brasil só aumenta

Entenda por que isso acontece e quais são os impactos

Por: Marcos Renan
19/06/2026 às 06h00
O endividamento das famílias no Brasil só aumenta
imagem: Noticias concurso.

O aumento das dívidas familiares se tornou uma preocupação para economistas e especialistas da área. Mesmo quando há certa melhora em alguns momentos, a estabilidade não se mantém, e milhões de brasileiros vivem uma realidade precária. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, 80,4% das famílias brasileiras estavam endividadas em março de 2026, o maior índice da série histórica iniciada em 2010.

Analisando o cenário do país, nota-se que os fatores que mais contribuem para o endividamento dos brasileiros são os juros elevados, o aumento do uso do cartão de crédito para conseguir fechar as contas do mês e a elevação dos custos de serviços básicos para se viver. Para a professora Ana Rosa Ribeiro de Mendonça, do Instituto de Economia da Unicamp, os juros elevados, a ampla oferta de crédito e as desigualdades sociais ajudam a explicar o aumento do endividamento e da inadimplência entre as famílias brasileiras.

Muitas pessoas têm de recorrer a empréstimos, que deixaram de ser usados apenas para emergências e passaram a funcionar como um socorro para sobreviver. A Peic aponta que o cartão de crédito continua sendo a principal modalidade de endividamento das famílias brasileiras, presente em 85,4% dos casos registrados pela pesquisa. Dados do Banco Central do Brasil mostram que a taxa média de juros do crédito livre para pessoas físicas estava em 61,5% ao ano em março de 2026, mantendo o crédito caro e aumentando a pressão sobre o orçamento familiar.

Especialistas notam que não é mais apenas a falta de planejamento financeiro que tem deixado os brasileiros em apuros, pois muitos enfrentam dificuldades para arrumar emprego, problemas de saúde ou redução na renda, o que ocasiona o comprometimento do orçamento familiar no fim do mês. O especialista em educação financeira Gustavo Cerbasi afirma que o endividamento das famílias brasileiras vai além das escolhas individuais e está ligado a fatores estruturais, como crédito caro, baixa renda e um ambiente econômico que favorece decisões de curto prazo.

Isso tem gerado gastos extras na tentativa de passar o mês com dignidade. O Banco Central informou que o comprometimento da renda das famílias com dívidas chegou a 29,7% em fevereiro de 2026. Isso significa que quase um terço da renda familiar é destinado ao pagamento de financiamentos, empréstimos e outras obrigações financeiras.

Além do aumento das despesas, o impacto também afeta a saúde emocional do brasileiro, que muitas vezes vive sob forte preocupação, cobranças e insegurança, o que gera estresse e medo do futuro. A baixa qualidade de vida afeta as relações familiares e o bem-estar de cada indivíduo. Segundo a CNC, o endividamento alcança 82,5% das famílias com renda de até três salários mínimos, percentual superior ao observado entre as famílias de renda mais elevada.

Esses especialistas alertam que a educação financeira é um instrumento importante na organização das finanças pessoais, mas ela sozinha não resolve os problemas. Isso porque muitos fatores econômicos e sociais estão afetando a qualidade de vida do brasileiro, que, por si só, muitas vezes não consegue organizar sua própria renda.

Esse problema mostra que a realidade vai muito além dos números apresentados em pesquisas. Trata-se de uma questão crônica que afeta milhões de brasileiros todos os dias e exige muito mais do que planejamento individual. Existem famílias que adiam sonhos, reduzem gastos essenciais e convivem diariamente com a preocupação de não conseguir pagar as contas. O professor Rodrigo de Losso, da Universidade de São Paulo (USP), destaca que a inflação dos alimentos e os juros elevados têm contribuído para ampliar a dificuldade financeira das famílias, especialmente entre as camadas de menor renda.

São necessárias melhorias econômicas no cenário nacional para que todas as famílias, independentemente da classe social, possam viver com mais dignidade e tranquilidade financeira. A economista Lena Lavinas argumenta que o endividamento também está relacionado à renda estruturalmente baixa e ao aumento do custo de vida, fatores que dificultam o equilíbrio financeiro mesmo para famílias que procuram organizar o orçamento.

Fontes: Por Gabriel Pereira (03/06) – Metrópoles; Banco Central do Brasil; Instituto de Economia da Unicamp; Universidade de São Paulo (USP); Fundação Getulio Vargas (FGV); Insper; Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo – Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).

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Talita Motta Lima
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Sou a Talita Motta, redatora criativa, licenciada em letras, bacharelanda em relações públicas e estudante do curso técnico de teologia. Escritora nas horas vagas e experiência em atendimento virtual.
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