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Proprietário de helicóptero envolvido em tragédia no Rio já havia sido multado pela Anac

Dono da aeronave que transportava cinco das vítimas foi autuado em 2025 por se recusar a fornecer documentos e informações durante fiscalização da agência reguladora.

Por: Redação
14/06/2026 às 16h07
Proprietário de helicóptero envolvido em tragédia no Rio já havia sido multado pela Anac

O proprietário de um dos helicópteros envolvidos no grave acidente aéreo registrado na manhã deste domingo (14), no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio de Janeiro, já havia sido alvo de uma autuação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) no ano passado. A informação foi confirmada por documentos da própria agência reguladora e acrescenta um novo elemento às investigações sobre a tragédia que resultou na morte de seis pessoas.

Segundo a decisão administrativa da Anac, o empresário Oswaldo de Luca Filho, proprietário da aeronave de matrícula PP-MAC, foi multado em julho de 2025 após supostamente se recusar a apresentar documentos, registros e informações solicitadas por agentes de fiscalização durante uma inspeção. A infração foi enquadrada como descumprimento das obrigações de colaboração com os órgãos reguladores da aviação civil.

Na ocasião, os fiscais apontaram que houve resistência na apresentação de livros, documentos contábeis, dados operacionais e outras informações consideradas essenciais para a atividade de fiscalização. Como se tratava da primeira autuação relacionada ao caso, a agência optou por aplicar a penalidade mínima prevista, estabelecendo uma multa no valor de R$ 8 mil.

Até o momento, não houve manifestação pública do proprietário sobre a autuação nem sobre o acidente ocorrido neste domingo. A reportagem tenta contato com representantes legais de Oswaldo de Luca Filho para obter um posicionamento.

A aeronave PP-MAC estava entre os dois helicópteros que colidiram no ar sobre a região do Recreio dos Bandeirantes. O acidente mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, policiais e peritos logo nas primeiras horas da manhã. De acordo com relatos de testemunhas, as aeronaves voavam pela mesma região quando houve a colisão, provocando a queda imediata dos dois equipamentos.

O helicóptero PP-MAC transportava cinco pessoas e todos os ocupantes morreram no local. Entre as vítimas estavam o piloto Alexandre Souza, o influenciador digital argentino Gaspar Prim Díaz, conhecido internacionalmente como Gaspi, o produtor musical brasileiro Lucas Brito Chaves, conhecido artisticamente como Lucas Frota, o diretor de videoclipes argentino Lucas Vignale e o cantor e produtor musical norte-americano Oliver Tree.

A sexta vítima foi identificada como Charles Marsillac, piloto da segunda aeronave envolvida no acidente, de matrícula PR-DJJ.

As duas aeronaves caíram em um terreno localizado entre a Avenida das Américas e as ruas Beth Lago e Rivadávia Campos. O espaço, que anteriormente pertencia a uma igreja desativada, vinha sendo utilizado para armazenamento de veículos elétricos após ser alugado pela montadora chinesa BYD.

O impacto da queda provocou uma série de explosões. Segundo informações das equipes de emergência, o helicóptero PP-MAC explodiu ao atingir o solo, espalhando fogo rapidamente pelo estacionamento. As chamas alcançaram dezenas de veículos elétricos estacionados no local, provocando novas explosões devido às baterias dos automóveis.

Moradores da região relataram ter ouvido um forte estrondo seguido por sucessivas explosões e uma intensa coluna de fumaça escura que podia ser vista de diversos pontos da cidade. Vídeos gravados por testemunhas mostram o incêndio de grandes proporções consumindo parte dos veículos armazenados no terreno.

Já o segundo helicóptero não pegou fogo após a queda. A aeronave caiu de cabeça para baixo e ficou com o trem de pouso voltado para cima. Equipes de resgate trabalharam para acessar os destroços e realizar os procedimentos necessários no local.

O Corpo de Bombeiros informou que foi acionado às 8h59 e enviou diversas equipes para combater o incêndio e prestar atendimento à ocorrência. Por questões de segurança, a pista lateral da Avenida das Américas precisou ser interditada temporariamente durante o trabalho das equipes de emergência.

Enquanto a investigação sobre as causas da colisão segue em andamento, especialistas da Anac, do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e demais órgãos competentes analisam destroços, registros operacionais e condições de voo das aeronaves. O objetivo é esclarecer o que levou ao acidente que causou uma das maiores tragédias aéreas recentes registradas na capital fluminense.

As autoridades destacam que, neste momento, ainda não é possível relacionar a autuação administrativa aplicada ao proprietário da aeronave em 2025 com as circunstâncias que resultaram na colisão deste domingo. As conclusões dependerão do avanço das investigações técnicas conduzidas pelos órgãos responsáveis.

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