
A educação sempre foi um desafio para o país, e isso nunca foi novidade. Nas últimas décadas passamos por alguns avanços, ainda assim, o país enfrenta dificuldades relacionadas à qualidade do ensino, à desigualdade de acesso à educação e à defasagem no processo de aprendizagem.
Basta lembrar que muitas pessoas têm dificuldade para interpretar textos. Dados recentes apontam que 29% dos brasileiros são analfabetos funcionais, ou seja, pessoas que sabem ler, mas não conseguem compreender plenamente o que leem nem resolver operações matemáticas básicas do cotidiano. O Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) aponta que 29% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são analfabetos funcionais, tendo dificuldades para compreender textos e utilizar habilidades matemáticas em situações cotidianas.
Especialistas afirmam que a educação é um dos pilares mais importantes para o desenvolvimento de uma sociedade. Todavia, milhares de estudantes enfrentam dificuldades que ultrapassam as salas de aula, como questões financeiras que afetam a qualidade de vida, a saúde emocional, a saúde física, a estrutura familiar e até mesmo o acesso à educação. O economista Naercio Menezes Filho destaca que fatores socioeconômicos, como renda familiar, escolaridade dos pais e condições de vida, exercem forte influência sobre o desempenho dos estudantes.
Questões familiares também influenciam na qualidade da absorção do conhecimento. Muitos estudantes vêm de famílias desestruturadas, cenários de abandono, fome, locais perigosos e falta de incentivo à busca por uma melhora intelectual.
Outro fator que gera preocupação é a desigualdade educacional enfrentada entre diversas regiões do país. Há uma diferença considerável entre elas. Destaca-se que algumas instituições contam com estruturas mais tecnológicas e modernas, enquanto outras lidam com limitações que acabam atrasando o processo de aprendizagem. Dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) mostram diferenças persistentes de desempenho entre regiões brasileiras, especialmente entre escolas públicas e privadas.
Também existem questões externas que afetam a aprendizagem. Muitos estudantes precisam conciliar os estudos com uma rotina árdua de trabalho para ajudar a manter a renda familiar. Muitos enfrentam essa realidade desde pequenos, o que em diversos casos gera perda de interesse pelos estudos, desistência de cursar o ensino superior ou técnico, além de deixar outros muito atrás no tempo de dedicação necessário para cursos, exames de ingresso em faculdades, Enem e vestibulares. Levantamentos do IBGE mostram que milhares de jovens brasileiros precisam conciliar estudo e trabalho, realidade que frequentemente afeta o rendimento escolar e aumenta os riscos de evasão.
Tudo isso afeta a trajetória educacional dos brasileiros e acaba deixando o país atrasado intelectualmente. Sem educação, sem acesso aos melhores trabalhos e sem conhecimento, o cidadão perde parte do senso crítico e da capacidade de tomar decisões acertadas em meio à sociedade e diante de assuntos importantes. Para Mozart Neves Ramos, o ambiente familiar e o acompanhamento dos responsáveis possuem papel fundamental no desenvolvimento cognitivo e no desempenho escolar dos estudantes.
É nesse ponto que especialistas insistem ao dizer que não devemos enxergar a educação apenas como um meio de avançar financeiramente, mas também como acesso à liberdade intelectual e à formação de pessoas pensantes, reflexivas e conscientes de suas decisões, capazes de analisar cenários e decidir o melhor para a sociedade e todos ao seu redor.
Por isso, não se pode deixar de afirmar que a educação é um motor que não pode ser ignorado, assim como a segurança pública e a saúde pública. Todas essas áreas precisam de manutenção e investimentos constantes. Não se trata apenas de melhorar pesquisas e indicadores, mas de garantir que todos possam ter acesso ao conhecimento de qualidade e oportunidades justas para se desenvolverem como pessoas e profissionais. Ricardo Paes de Barros argumenta que a educação continua sendo um dos instrumentos mais eficazes para reduzir desigualdades e ampliar oportunidades ao longo da vida.
A educação sempre será um dos principais meios para transformar realidades e promover a melhoria pessoal. Ignorar isso é contribuir para a construção de uma sociedade menos preparada, menos crítica e cada vez mais atrasada.
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