Em levantamento da AtlasIntel divulgado na última quinta-feira (10), o senador Flávio Bolsonaro (PL) apareceu à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela primeira vez em quatro meses. No cenário de 2⁰ turno, Flávio tem 46,4% dos votos contra 46,2% do adversário. Brancos e nulos somaram 7,4%. A situação é de empate técnico dentro da margem de erro de um ponto. No 1⁰ turno, Lula estabilizou nos 43% e Flávio subiu de 34% para 37%. Augusto Cury (Avante) teve 6,6%, empatado com Renan Santos (Missão), com 6,5%. Romeu Zema atingiu 2,1%; Ronaldo Caiado (UNIÃO) e Samara Martins (UP) registraram 1,1% e 1%, respectivamente. Brancos e nulos também 1%.
O contexto da ascensão de Flávio Bolsonaro
Essa foi a primeira pesquisa nacional do instituto a captar o voto do eleitor após a escalada de conflitos entre André Mendonça e Alexandre de Moraes, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar de indicado por Michel Temer, Moraes é visto como próximo à Lula e a maioria da corte foi colocada pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
Flávio Bolsonaro defende o impeachment de Moraes , assim como fez o pai durante o mandato. Há expectativa de que o Partido Liberal (PL) surfe na indignação da população e eleja a maior bancada do Senado, casa responsável por pautar esses processos. Flávio Bolsonaro também passou Lula em projeções de apostas.
Relator dos casos Master e INSS, Mendonça provocou mal-estar na corte ao tirar o sigilo de mensagens que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria enviado à Moraes. Há alguns meses, foi revelado que o banco Master teria firmado um contrato de 129 milhões com Viviane de Moraes, a esposa do ministro.
Por se tratar de mensagens por visualização única, a Polícia Federal (PF) não conseguiu recuperar o conteúdo com as possíveis respostas de Moraes, que reagiu incluindo Mendonça no inquérito das Fake News. Originalmente, o inquérito era relatado por Dias Toffoli, mas trocou de mãos e foi múltiplas vezes acusado por advogados e juristas de ser longo e danoso à democracia. O presidente do STF, ministro Edson Fachin, retirou Moraes da relatoria no dia 9 de setembro e excluiu Mendonça do processo.
Desconfiado da PF, Mendonça afastou o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, do cargo por liminar referendada pela 2ª turma do STF. Rodrigues foi o líder da corporação à frente das investigações nos casos Master, INSS, fintechs na Faria Lima, Dark Horse e assassinato de Mariele Franco. O ministro Flávio Dino suspendeu a decisão por outra liminar. Para conter a crise, Fachin anulou todas as medidas de Dino, Moraes e Mendonça. Uma sessão foi marcada para 15 setembro, quando os dez ministros irão debater em público sobre a condução e legalidade das atitudes de todos.
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