Numa entrevista concedida à jornalista Christiane Amanpour da CNN, o presidente Lula (PT) falou sobre uma série de temas que envolvem o Brasil, Estados Unidos e a Organização das Nações Unidas. Entre os assuntos, estavam a imposição de tarifas por Donald Trump, a guerra no Irã, mudanças climáticas, a situação na Faixa de Gaza, as eleições brasileiras e o petróleo venezuelano. Para a proteção do comércio global, o Brasil propôs, em conjunto ao Canadá, Quênia e União Europeia, a iniciativa dos Parceiros pelo Multilateralismo.
Na visão de Lula, a Organização Mundial do Comércio (OMC) se tornou inapta diante da relação impositiva de Trump com outros países. “Ele age como um imperador. É um jeito de governar que não concordo quando você diz ‘eu sou o mais forte, o maior, o mais rico. Posso tudo e o restante tem que obedecer”, comentou. Segundo o presidente, a taxação de 25% sobre o Brasil foi ‘inverídica’, já que os EUA vendem mais do que compram na balança comercial. As tarifas teriam enfraquecido a relação comercial, porque as exportações do Brasil com o país caíram 9% e as importações 8,5% em 2026.
“Não vou ficar chorando o leite derramado, vou procurar outro lugar que tenha”, disse Lula. Desde a taxação, as trocas comerciais do Brasil com 57 países estariam numa média de 10,5% de crescimento. Sem citar Trump diretamente, Lula chamou o comportamento de alguns líderes políticos de ‘insensatez‘. O presidente enxerga a guerra tarifária global e a guerra contra o Irã como desnecessárias e responsáveis pelo aumento de preço dos combustíveis, óleo diesel, fertilizantes e alimentos.
Lula fala de interferência e cooperação territorial
Perguntado sobre as eleições, Lula criticou a proteção dos EUA à condenados na Justiça brasileira que atuariam para prejudicar a economia e o processo eleitoral. Eduardo Bolsonaro, irmão do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), foi considerado culpado por coação no processo que condenou o pai Jair Bolsonaro (PL) pelos atos golpistas do 8 de janeiro. Eduardo vive nos EUA e atuou ativamente por sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e aplicação de tarifas às empresas do Brasil.
Por outro lado, Lula também responsabilizou os EUA pelo excesso ou falta de ação em territórios. “O Marco Rubio (Secretário de Estado) faz questão de explicitar que é ele quem manda na Venezuela com o dinheiro do petróleo. Cadê as armas químicas que tinha o Sadam Hussein? Cadê a bomba nuclear que tem o Irã?”, provocou. Em 2003, na invasão do Iraque, os EUA argumentaram a existência oculta de armas químicas que nunca foram encontradas. Recentemente, o Irã tem sido acusado de enriquecer urânio para o desenvolvimento de bombas nucleares, embora o enriquecimento para a produção energética seja muito diferente do feito para armas de guerra.
“A segurança territorial dos países não existe“, declarou o presidente. No caso da Organização das Nações Unidas (ONU), o poder de veto nas mãos de poucos paralisou o Conselho de Segurança, impedindo o combate efetivo ao genocídio na Faixa de Gaza, à guerra entre EUA e Irã e ao conflito entre Rússia e Ucrânia. Sendo os Estados Unidos um dos cinco com poder de veto, a falta de crença de Trump nas mudanças climáticas freou políticas que buscam evitar desastres naturais, como enchentes, tempestades, frio e calor extremos.
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