
O aumento expressivo de casos de vírus respiratórios em 2026 tem acendido um alerta entre especialistas da saúde pública e profissionais da educação em todo o país. Em meio ao avanço da Influenza A, grupo viral que inclui o H1N1, escolas e creches passaram a ser apontadas como locais estratégicos para reforço das medidas de prevenção, principalmente entre crianças e adolescentes, considerados mais vulneráveis devido à convivência constante em ambientes coletivos.
Dados recentes do Ministério da Saúde, baseados no sistema Sivep-Gripe e em análises da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mostram que o Brasil já ultrapassou 16 mil registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) neste ano. Entre os casos confirmados laboratorialmente para vírus respiratórios, a Influenza A aparece entre as principais causas de internações e complicações clínicas.
A região Sudeste concentra parte significativa dessas notificações. Em São Paulo, o crescimento dos casos tem sido observado principalmente nas últimas semanas epidemiológicas, com maior incidência entre crianças de 2 a 14 anos. Além do aumento nas internações, o estado também registra mortes relacionadas a complicações causadas por vírus respiratórios, reforçando a preocupação das autoridades sanitárias.
Diante desse cenário, especialistas defendem que a higienização correta dos ambientes escolares se tornou uma medida indispensável para conter a disseminação dos vírus. Segundo Marcos Soares, engenheiro químico e especialista em higienização de ambientes da Klivex, o cuidado com a limpeza precisa ir além das práticas superficiais e fazer parte de uma rotina permanente dentro das instituições de ensino.
O especialista explica que superfícies de contato frequente, como mesas, carteiras, maçanetas, corrimãos, brinquedos, teclados e equipamentos compartilhados, devem receber atenção redobrada. “O uso de produtos adequados e a correta diluição são fundamentais para garantir a eficácia da higienização e reduzir os riscos de contaminação”, afirma.
Além da limpeza diária, a manutenção dos sistemas de ventilação e climatização também passou a ser considerada essencial. Equipamentos de ar-condicionado sem manutenção adequada podem favorecer a circulação de partículas contaminadas no ambiente, aumentando o risco de transmissão entre alunos e funcionários.
Segundo Soares, filtros precisam ser trocados periodicamente e os aparelhos devem passar por limpeza regular conforme as orientações dos fabricantes e das normas sanitárias vigentes. “Ambientes fechados e mal higienizados favorecem a permanência de agentes infecciosos no ar”, alerta.
Especialistas também destacam que as medidas individuais continuam sendo importantes mesmo após o fim das restrições mais rígidas da pandemia de Covid-19. Hábitos como higienizar as mãos frequentemente, utilizar álcool em gel e cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar seguem sendo considerados fundamentais para reduzir o avanço dos vírus respiratórios.
O uso de máscaras por pessoas com sintomas gripais também voltou a ser recomendado em algumas instituições, principalmente para evitar surtos em salas de aula e ambientes com grande circulação de alunos.
Outro ponto considerado essencial é a conscientização das famílias. Pais e responsáveis são orientados a evitar enviar crianças com sintomas respiratórios para a escola, reduzindo assim a possibilidade de transmissão coletiva. Febre, tosse, coriza intensa e mal-estar devem ser observados com atenção.
Para especialistas da área da saúde, a prevenção depende de uma atuação conjunta entre escolas, famílias e poder público. Investimentos em infraestrutura, campanhas educativas e protocolos permanentes de higiene são apontados como ferramentas importantes para diminuir o impacto da Influenza e de outras doenças respiratórias no ambiente escolar.
Com o avanço dos casos em 2026, a tendência é que escolas reforcem medidas preventivas nos próximos meses, especialmente durante os períodos de maior circulação viral, buscando proteger alunos, profissionais da educação e toda a comunidade escolar.