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Tecnologias avançadas colocam cidades paulistas entre as mais eficientes do Brasil no combate ao desperdício de água

Inteligência artificial, satélites, hidrômetros inteligentes e até cão-robô ajudam municípios de São Paulo a alcançar índices de excelência na gestão hídrica.

Por: Redação
22/06/2026 às 12h04
Tecnologias avançadas colocam cidades paulistas entre as mais eficientes do Brasil no combate ao desperdício de água
Foto: Divulgação/Governo de SP

Sete municípios paulistas estão entre os melhores do Brasil quando o assunto é combate ao desperdício de água. O resultado foi apontado pelo estudo “Perdas de Água 2026”, divulgado pelo Instituto Trata Brasil, que destaca cidades do estado entre as líderes nacionais em eficiência na gestão dos recursos hídricos.

O levantamento mostra que Suzano ocupa a primeira posição do ranking nacional, registrando apenas 1,27% de perdas de água no sistema de abastecimento. Logo atrás aparece Santos, com índice de 5,35%. Também figuram entre os destaques a cidade de São Paulo, São Bernardo do Campo, Taubaté, Franca e outros municípios paulistas que apresentam resultados significativamente melhores que a média brasileira.

Para efeito de comparação, o índice médio de perdas de água no país é de aproximadamente 40%. Isso significa que, em muitas cidades brasileiras, quase metade da água tratada acaba sendo desperdiçada antes mesmo de chegar ao consumidor final.

Especialistas apontam que os resultados alcançados por municípios paulistas estão diretamente relacionados ao aumento dos investimentos em infraestrutura e à adoção de novas tecnologias voltadas para a identificação rápida de vazamentos e a modernização dos sistemas de abastecimento.

Após a desestatização da Sabesp, os investimentos em saneamento básico tiveram crescimento expressivo. Em 2025, os aportes chegaram a R$ 15 bilhões, representando um aumento de 120% em relação ao ano anterior. Somente na Baixada Santista, os investimentos acumulados desde julho de 2024 já somam R$ 2,4 bilhões.

Uma das principais ferramentas utilizadas nesse processo é a Inteligência Artificial. Atualmente, veículos operacionais da companhia circulam pelas cidades equipados com câmeras especiais que registram imagens das ruas e calçadas. Esses dados são analisados por algoritmos capazes de identificar sinais que podem indicar vazamentos subterrâneos, como rachaduras, afundamentos ou alterações no pavimento.

Além do monitoramento terrestre, a tecnologia também chegou ao espaço. Imagens captadas por satélites são cruzadas com sistemas de inteligência artificial para detectar possíveis perdas de água em áreas urbanas complexas. A tecnologia consegue identificar alterações na umidade do solo e localizar vazamentos escondidos a até três metros de profundidade, permitindo uma atuação mais rápida das equipes de manutenção.

Outro avanço importante está no monitoramento do consumo residencial. Clientes da Sabesp passaram a receber alertas automáticos por WhatsApp quando o consumo de água ultrapassa 30% da média habitual. A medida ajuda a identificar vazamentos internos e incentiva o uso mais consciente dos recursos hídricos.

Paralelamente, a empresa está investindo R$ 3,8 bilhões na implantação de hidrômetros inteligentes em diversas regiões do estado. Os novos equipamentos permitem acompanhar o consumo em tempo real e detectar vazamentos invisíveis quase imediatamente.

Por meio do aplicativo da companhia, os usuários podem consultar informações detalhadas sobre o consumo diário de água, incluindo registros por horário. A ferramenta facilita o controle dos gastos, ajuda na economia e permite que problemas sejam identificados antes de gerar prejuízos maiores.

Os hidrômetros também contam com sistemas de segurança que alertam automaticamente sobre possíveis tentativas de fraude ou violação dos equipamentos.

Entre as inovações mais curiosas está a utilização de um cão-robô nas operações de campo. Batizado de DOM, o equipamento foi desenvolvido para atuar em locais de difícil acesso e auxiliar na inspeção de tubulações, galerias subterrâneas e estruturas de saneamento.

Controlado remotamente, o robô consegue identificar fissuras, rachaduras e vazamentos, além de operar em ambientes considerados perigosos para trabalhadores, como áreas com gases tóxicos, baixa concentração de oxigênio ou presença de animais peçonhentos.

O combate ao desperdício integra um plano mais amplo de expansão e modernização do saneamento básico em São Paulo. O Plano Regional de Saneamento prevê investimentos de R$ 260 bilhões até 2060. Desse total, cerca de R$ 70 bilhões deverão ser aplicados até 2029 com o objetivo de universalizar o acesso à água tratada e aos serviços de coleta e tratamento de esgoto.

Com a combinação de investimentos recordes e tecnologias cada vez mais sofisticadas, São Paulo busca consolidar sua posição como referência nacional na gestão eficiente dos recursos hídricos, reduzindo perdas e fortalecendo a segurança no abastecimento para milhões de pessoas.

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