Coligação de Lula afirma que propaganda eleitoral editou declaração do presidente e pede retirada da peça e direito de resposta.
A coligação Brasil Pronto Pra Mais, ligada à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apresentou neste domingo (6) uma nova representação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra uma propaganda de Flávio Bolsonaro (PL) que utiliza uma declaração do presidente sobre trabalhadores da limpeza urbana. Esta é a segunda ação apresentada pela campanha de Lula relacionada ao episódio.
A coligação solicita que a propaganda seja retirada do rádio e da televisão e também pede que Lula tenha direito de resposta pelo mesmo período utilizado na peça eleitoral.
Segundo os advogados da campanha, a propaganda de Flávio Bolsonaro utiliza novamente um trecho editado de uma fala feita por Lula em 29 de agosto, durante um ato eleitoral realizado em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Na ocasião, o presidente falou sobre a importância do trabalho realizado pelos garis e afirmou que esses profissionais muitas vezes são tratados como pessoas invisíveis pela sociedade. Lula também defendeu maior valorização da atividade.
O trecho passou a ser utilizado pela campanha de Flávio Bolsonaro em uma peça eleitoral. Na propaganda, o senador afirma que “o Brasil precisa de um gari na Presidência da República” e associa a ideia à necessidade de “limpar esse país”.
Campanha de Lula contesta propaganda
Na representação apresentada ao TSE, a coligação de Lula argumenta que a propaganda teria retirado a declaração presidencial de seu contexto original.
Para os advogados, a edição utilizada na peça poderia levar o eleitor a interpretar que Lula teria feito uma declaração depreciativa sobre os garis, enquanto, segundo a campanha, o discurso original tinha como objetivo destacar a importância desses trabalhadores.
A coligação pede que a propaganda seja retirada do ar e que seja aplicada multa caso a determinação não seja cumprida. Também solicita espaço para que Lula apresente sua versão sobre o conteúdo utilizado pela campanha adversária.
O episódio já havia chegado à Justiça Eleitoral anteriormente. A primeira representação apresentada pela campanha de Lula ocorreu em 3 de setembro, também questionando o uso da declaração na propaganda de Flávio Bolsonaro.
A nova ação foi apresentada, segundo o PT, porque a campanha adversária teria voltado a utilizar o trecho considerado descontextualizado.
Pedido ainda será analisado
A disputa ocorre durante o período eleitoral e envolve o uso de declarações de candidatos em peças de propaganda. A Justiça Eleitoral deverá avaliar se o conteúdo utilizado pela campanha de Flávio Bolsonaro ultrapassa os limites permitidos pela legislação eleitoral.
Até o momento, não há decisão definitiva sobre o pedido apresentado neste domingo. Caberá ao TSE analisar os argumentos das partes e decidir se a propaganda deverá ser retirada e se haverá direito de resposta para Lula.
O caso representa mais um capítulo da disputa entre as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro no período eleitoral, com os dois lados recorrendo à Justiça Eleitoral para questionar conteúdos utilizados na propaganda.
