Deputada federal e candidata à reeleição recebeu mensagem com ataques homofóbicos e registrou boletim de ocorrência
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), candidata à reeleição, precisou adiar o horário previsto para votar neste domingo (4), durante o primeiro turno das eleições, após receber uma ameaça de morte por e-mail. Segundo informações divulgadas pela assessoria da parlamentar, a mensagem foi recebida durante a manhã e continha ofensas, ataques de caráter homofóbico e ameaças direcionadas à deputada.
De acordo com a assessoria, o autor da mensagem afirmou ter acesso a informações pessoais de Erika Hilton e ao endereço da parlamentar. O conteúdo também apresentou ameaças de violência física e mencionou a possibilidade de um ataque contra a deputada.
A mensagem teria sido enviada por meio do Onion Mail, serviço de correio eletrônico que utiliza recursos voltados à preservação do anonimato dos usuários, o que pode dificultar a identificação do responsável pelo envio. Diante da gravidade do conteúdo, Erika Hilton registrou um boletim de ocorrência para que o caso seja investigado pelas autoridades.
A ameaça ocorreu justamente no dia do primeiro turno das eleições, quando a deputada tinha previsto comparecer pela manhã ao local de votação. Após tomar conhecimento do conteúdo, a parlamentar decidiu adiar o deslocamento e reforçar as medidas de segurança adotadas por sua equipe.
Votação foi adiada por segurança
Erika Hilton pretendia votar durante a manhã deste domingo, mas a ameaça alterou a programação. A decisão de postergar a ida ao local de votação foi tomada diante da necessidade de avaliar a situação e reforçar a proteção da parlamentar.
A previsão informada pela assessoria é de que a deputada ainda compareça ao local de votação neste domingo, acompanhada por sua equipe de segurança.
O registro da ocorrência deverá permitir que as autoridades responsáveis adotem as medidas necessárias para identificar a origem da mensagem e avaliar a existência de risco concreto à integridade da parlamentar.
A investigação poderá considerar informações técnicas relacionadas ao envio do e-mail, além do conteúdo da mensagem e de eventuais dados apresentados pelo remetente para tentar demonstrar conhecimento sobre a rotina ou informações pessoais da deputada.
Ataques homofóbicos são investigados
Além da ameaça de morte, a mensagem encaminhada à parlamentar teria utilizado termos ofensivos relacionados à sua identidade. O caso, portanto, poderá ser analisado pelas autoridades não apenas sob a perspectiva da ameaça, mas também em relação a eventuais crimes decorrentes de discriminação ou preconceito.
Erika Hilton é uma das principais parlamentares brasileiras na discussão de direitos da população LGBTQIA+. Ao longo de sua atuação política, a deputada também se tornou alvo de episódios de violência política e ataques em ambientes digitais.
A violência política contra mulheres e integrantes de grupos historicamente sujeitos a discriminação é acompanhada por órgãos públicos e instituições eleitorais. Durante períodos de campanha e votação, ameaças e intimidações podem ter impacto direto sobre o exercício da atividade política e sobre a participação democrática.
No caso registrado neste domingo, entretanto, caberá às autoridades responsáveis pela investigação determinar a autoria, a motivação e a eventual responsabilização criminal pelo conteúdo enviado à deputada.
Segurança foi reforçada
Após receber a ameaça, Erika Hilton passou a contar com medidas adicionais de proteção. A parlamentar deverá ser acompanhada por integrantes de sua equipe de segurança quando comparecer ao local de votação.
A decisão de adiar temporariamente a votação não impede o exercício do direito ao voto, desde que a eleitora compareça dentro do horário estabelecido pela Justiça Eleitoral.
A ocorrência também chama atenção para a necessidade de segurança durante o processo eleitoral. Candidatos, autoridades, servidores e eleitores podem ser submetidos a diferentes situações de risco durante o período de votação, e denúncias de ameaças devem ser comunicadas às autoridades competentes.
O boletim de ocorrência registrado por Erika Hilton será utilizado como parte dos procedimentos de apuração. A partir das informações disponíveis, investigadores poderão buscar identificar a origem do e-mail e verificar se o autor possui acesso efetivo aos dados mencionados na mensagem.
Caso ocorre durante o primeiro turno
A ameaça contra Erika Hilton aconteceu no mesmo dia em que milhões de brasileiros foram às urnas para participar do primeiro turno das eleições. A parlamentar concorre à reeleição para a Câmara dos Deputados e integra a disputa eleitoral em São Paulo.
Até o momento, as informações divulgadas sobre o episódio estão concentradas na ameaça recebida, no registro do boletim de ocorrência e nas medidas de segurança adotadas pela equipe da deputada.
A autoria da mensagem ainda precisa ser esclarecida pelas autoridades. O conteúdo da ameaça, por si só, não comprova que o responsável tenha efetivamente acesso aos dados pessoais ou tenha capacidade de executar as ações mencionadas.
A expectativa é de que a investigação avance a partir dos registros digitais relacionados ao e-mail e de outras informações que possam ser obtidas pelas autoridades.
Enquanto isso, Erika Hilton deverá manter sua agenda de votação adaptada às medidas de segurança. A parlamentar informou, por meio de sua assessoria, que pretende exercer o direito de voto ainda neste domingo, acompanhada por sua equipe de proteção.
