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Home»Mundo»Lula diz que Brasil só aceitará embaixador dos EUA após eleições de outubro
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Lula diz que Brasil só aceitará embaixador dos EUA após eleições de outubro

redacaoBy redacao14 de agosto de 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (14) que o Brasil só deverá conceder o agrément ao indicado pelo governo dos Estados Unidos para ocupar a embaixada norte-americana em Brasília após as eleições de outubro. A declaração foi dada durante entrevista aos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs, em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre os dois países e às críticas do governo brasileiro a possíveis tentativas de interferência em assuntos internos.

O indicado pelo presidente norte-americano Donald Trump para o posto é Daniel Perez. O agrément é a autorização formal concedida pelo país que receberá um embaixador para que o diplomata possa assumir oficialmente a função.

Ao justificar a decisão, Lula questionou o momento escolhido pelo governo dos Estados Unidos para apresentar a indicação e mencionou uma suposta tentativa de envio de representantes norte-americanos ao Brasil para acompanhar o processo eleitoral.

“Ouvi dizer que eles [EUA] queriam mandar duas pessoas para vir para cá para estudar as urnas, e nós não demos o visto. Agora, querem que eu apressadamente aceite o embaixador deles. Mas, agora, só [vamos aceitar] depois das eleições”, disse o presidente.

José Alves / Agência Brasil

Lula questiona momento da indicação

Durante a entrevista, Lula também criticou o período em que a embaixada norte-americana ficou sem um novo representante oficial e questionou por que a indicação ocorreu próximo às eleições brasileiras.

O presidente afirmou que, se a presença de um embaixador norte-americano no Brasil é considerada importante para a relação bilateral, a indicação poderia ter ocorrido anteriormente.

“Se o embaixador dos EUA é importante para o Brasil, por que eles ficaram um ano e seis meses sem mandar embaixador para cá? E por que só agora, faltando 45 dias para as eleições, eles querem mandar?”, questionou.

A decisão anunciada pelo presidente ocorre em um momento de relações diplomáticas mais delicadas entre Brasília e Washington. Questões comerciais, tarifas impostas a produtos brasileiros e divergências sobre assuntos políticos internos vêm ampliando o debate entre os dois governos.

Apesar das críticas, Lula fez questão de destacar que o Brasil pretende preservar uma relação diplomática com os Estados Unidos e não busca um confronto com o governo norte-americano.

“Não precisamos brigar. Não quero guerra. Quero discutir [as questões] com seriedade. O Brasil quer ter uma boa relação com os Estados Unidos”, afirmou.

Foto: Joao Oliveira/Zoonar/picture alliance

Presidente cita Marco Rubio em críticas

Ao comentar especificamente a relação com Donald Trump, Lula afirmou acreditar que parte das medidas recentes adotadas pelos Estados Unidos contra o Brasil não seria resultado direto de uma decisão pessoal do presidente norte-americano.

Segundo Lula, integrantes do governo Trump estariam desempenhando papel importante na condução das ações que aumentaram as tensões entre os países.

“Acho que não é ele quem não gosta do Brasil”, afirmou Lula.

Na sequência, o presidente brasileiro citou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, como um dos integrantes do governo dos EUA que, na avaliação dele, estaria contribuindo para o atual cenário de tensão.

Lula também afirmou que Rubio não teria uma postura favorável ao Brasil e à América Latina. As declarações foram feitas no contexto das divergências entre os dois governos sobre comércio, política externa e questões consideradas internas pelo governo brasileiro.

Lei de Reciprocidade entra no debate

As tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil também foram abordadas durante a entrevista.

Lula afirmou que o governo brasileiro decidiu recorrer à Lei de Reciprocidade Econômica para responder às medidas adotadas pelos norte-americanos e defender os interesses comerciais do país.

O presidente criticou os argumentos utilizados para justificar as medidas e afirmou que o Brasil pretende demonstrar que possui instrumentos para reagir às decisões que considera prejudiciais.

“Lamentavelmente eles estão construindo inverdades contra o Brasil”, disse Lula.

Em seguida, mencionou a decisão do governo brasileiro de utilizar a legislação de reciprocidade como uma forma de resposta.

“Ontem [quinta-feira, 13] entramos com a Lei de Reciprocidade para mostrar que a gente não é pouca coisa, e que nós nos respeitamos”, afirmou.

Relação entre Brasil e EUA segue sob tensão

A questão envolvendo a indicação do embaixador ocorre em um cenário mais amplo de divergências entre Brasil e Estados Unidos. O governo brasileiro tem defendido que assuntos relacionados à política nacional e ao processo eleitoral devem ser tratados exclusivamente pelas instituições brasileiras.

A decisão de aguardar o período eleitoral para conceder o agrément a Daniel Perez representa mais um episódio dentro desse contexto de tensão diplomática.

Mesmo diante das divergências, Lula afirmou que o Brasil continuará disposto a dialogar com Washington. O presidente também declarou estar preparado para defender os interesses brasileiros em negociações internacionais.

“Estou muito tranquilo, sabendo o que pode acontecer, e preparado para debater a defesa do Brasil em qualquer lugar do planeta Terra”, concluiu.

A expectativa agora é que a relação entre os dois países continue sendo marcada por negociações em diferentes frentes, especialmente nas áreas comercial e diplomática. A definição sobre o novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil deverá ficar, conforme anunciado por Lula, para depois das eleições de outubro.

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embaixador dos EUA Estados Unidos Lei de Reciprocidade Lula relações Brasil-EUA
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