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Home»Política»A profissão da Idade Média que reinventa o jogo político global
Política

A profissão da Idade Média que reinventa o jogo político global

Líderes descobriram que gargalhar rende bons dividendos eleitorais.
Jônathas GrunheidtBy Jônathas Grunheidt6 de julho de 2026Updated:14 de agosto de 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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Do centro para a direita, duas pessoas vestidas de bobo da corte. A nova tendência no meio político.
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Nas décadas recentes, o mundo viu um avanço sem precedentes das redes sociais no debate político. Isso moldou a forma como as pessoas se comunicam e permitiu a popularização de figuras políticas midiáticas. O atual presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, ficou conhecido por apresentações teatrais e um programa de comédia na televisão. Em seu segundo mandato, Donald Trump chegou a ser apresentador do programa O Aprendiz, em que pessoas competiam por uma vaga em sua empresa. No tempo livre, Trump fez aparições frequentes no canal Fox News para falar o que bem quisesse sobre política. 

O Brasil também teve um comediante político para chamar de seu. Quando ainda era deputado federal com pouca relevância, Jair Messias Bolsonaro participou dos programas CQC, Pânico e SuperPop. Essas participações renderam vários cortes que viralizaram nas redes. No contexto eleitoral de 2018, em que Bolsonaro tinha quase nenhum tempo de propaganda, foram fundamentais. Mas por que, de repente, políticos midiáticos passaram a ser levados a sério?

O fenômeno não foi exatamente novo. O ex-presidente republicano dos Estados Unidos (EUA), Ronald Reagan, era um ator de Hollywood antes de governar o país por dois mandatos seguidos. Isso pode indicar que o avanço tecnológico não criou esse perfil político, mas intensificou sua presença e visibilidade.

As origens do político piadista

Existe um hábito humano que alguns políticos aparentam ter notado muito bem: o povo se refugia no entretenimento para esquecer dos problemas da vida. Por isso, se a discordância de ideias, a falta de dinheiro para obras e a aprovação de alguma lei se transformarem num show, talvez o eleitor torça menos o nariz aos assuntos. O teatro surgiu na Grécia Antiga (1.100 a.c – 146 a.c) como uma diversão, um escape que logo ganhou peças satíricas e provocativas. Então, a política pegou a arte e uniu ao poder. Foi e ainda é uma combinação sagaz. 

Seria difícil contestar a afirmação de que rir faz bem. Os reis medievais sabiam bem disso, porque tinham os bobos da corte para os desestressar e entreter os nobres. Mas o bobo era uma figura à parte da política. Era ridicularizado, humilhado e, caso irritasse demais a monarquia, até morto. O tempo fez a política preferir repúblicas presidencialistas ou parlamentaristas. Com isso, o bobo caiu em desuso. É irônico que uma das funções mais menosprezadas tenha sido extinta. Os atentos à História, porém, repararam que nada se perdeu. Tudo se transformou. 

Agora, o Congresso Nacional está cheio de bobos da corte com salário de R$ 41 mil, vários assessores e auxílio de custo. Nada como um dia após o outro, não? Outra ideia bastante velha é a de que um político precisaria construir, moldar a própria imagem. Na era da inteligência artificial, em outras palavras, ter um bom marketing digital. Isso fez os políticos “surfarem” em tendências das redes para polarizar o mandato. 

O risco que correm é o mesmo do bobo da corte e seriados de comédia. Como diz a gíria popular: pisar no pastelão. Um bobo que ofendia seu rei podia perder a cabeça na hora. Caso a brincadeira for inadequada ou absurda, dirão que o político é infantil, desrespeitoso ou falacioso. Se tudo é uma piada, por que as pessoas deveriam se importar? Assim, parte do povo tomou a iniciativa de separar a política do entretenimento novamente. 

Uma pesquisa da Universidade de Tecnologia de Swinburne, Austrália, analisou como diferentes telas impactam o foco de jovens entre 18 e 25 anos. Nos resultados, detectaram aumento da atenção entre quem jogava videogame e assistia TV. Já os usuários de Instagram e TikTok tiveram perda de atenção, energia e humor mais negativo. A crescente epidemia de solidão é mais um problema. Em 2019, antes da pandemia de covid, um estudo da Universidade Columbia (EUA) concluiu que 61% dos maiores de 18 anos se declaravam solitários. 

É claro que as redes sociais têm pontos positivos. Na Inglaterra, a Northeastern University detectou que o TikTok foi fundamental para disseminar os episódios violentos de Israel na Palestina. Mas, de maneira geral, a sociedade se tornou mais idiotizada e indiferente. As relações sociais nunca foram tão distantes, mesmo tão conectadas à internet. 

A piada ainda é um recurso para os políticos serem vistos como fora do meio, anti-sistema. Ela deixou de ser novidade quando vários passaram a usar estratégias semelhantes. A ruína dos políticos bobos começa quando o povo enxerga à frente das cenas dramáticas e shows de comédia. As pessoas veem que, lá no fundo, esses políticos não têm muito a agregar ou são tão inteligentes assim. 

Por outro lado, eles podem fazer muito estrago no comércio mundial e nas diplomacias. Afinal, nem sempre quem não sabe o que faz é o mais indicado para conduzir uma nação. Na verdade, o fato de isso estar em debate, talvez, demonstre o quão baixo a Política chegou.

A opinião aqui demonstrada é inteiramente pessoal e não reflete o posicionamento do veículo Minuto News.

Autor

  • Jônathas Grunheidt

    Jornalista pela UFSM/FW. Explora os hábitos de consumo, relações de trabalho e políticas que moldam a sociedade.

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Jônathas Grunheidt
  • Website

Jornalista pela UFSM/FW. Explora os hábitos de consumo, relações de trabalho e políticas que moldam a sociedade.

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