Prisões ocorreram em duas ações realizadas no sábado e no domingo; cerca de R$ 4,5 mil em dinheiro foram apreendidos
A Polícia Federal prendeu três pessoas em flagrante por suspeita de corrupção eleitoral durante duas ações realizadas nos dias 3 e 4 de outubro, no município de Mucajaí, em Roraima. As ocorrências foram registradas durante o período de votação das Eleições 2026 e envolveram a apreensão de aproximadamente R$ 4,5 mil em dinheiro.
A primeira prisão aconteceu no sábado (3), depois que a Polícia Federal recebeu uma denúncia informando que um veículo estaria sendo utilizado para distribuir dinheiro a eleitores em troca de votos. Após localizar o automóvel indicado na denúncia, os policiais realizaram a abordagem e encontraram valores em espécie, além de outros elementos que, segundo a corporação, indicariam possível prática de compra de votos.
Um dos ocupantes do veículo foi preso em flagrante e conduzido para os procedimentos de polícia judiciária.
A segunda ocorrência foi registrada na manhã deste domingo (4), quando uma equipe da Polícia Federal realizava diligências no município. Durante a fiscalização, os policiais abordaram outro veículo e encontraram R$ 2,5 mil em espécie com um dos ocupantes.
Além desse valor, os agentes localizaram outros R$ 1,55 mil no porta-luvas do automóvel. Também foram encontrados materiais relacionados à campanha eleitoral.
De acordo com as informações divulgadas pela Polícia Federal, os ocupantes não apresentaram justificativa considerada suficiente para explicar a posse dos valores. Diante dos elementos encontrados durante a abordagem, duas pessoas foram presas em flagrante.
Ao todo, as duas ações resultaram na prisão de três pessoas e na apreensão de aproximadamente R$ 4,5 mil em dinheiro.
Investigação apura possível corrupção eleitoral
Os três presos foram autuados pelo crime de corrupção eleitoral. A investigação deverá analisar as circunstâncias das duas ocorrências e a possível relação entre os valores apreendidos, o material de campanha e a eventual tentativa de influenciar a escolha dos eleitores.
A compra de votos é considerada crime eleitoral pelo artigo 299 do Código Eleitoral. A legislação estabelece punição para quem oferece, promete, solicita ou recebe dinheiro, vantagem ou qualquer outro benefício com a finalidade de obter ou dar voto ou conseguir ou prometer abstenção. A pena prevista é de reclusão de até quatro anos, além do pagamento de multa.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) esclarece que a caracterização da corrupção eleitoral está relacionada à finalidade de obter ou dar voto. A legislação também prevê que não é necessário que a vantagem tenha sido efetivamente aceita para que determinadas condutas possam configurar o crime.
A Justiça Eleitoral diferencia ainda a corrupção eleitoral de outras irregularidades que podem ocorrer durante o período de campanha. A chamada captação ilícita de sufrágio, por exemplo, envolve oferta, promessa ou entrega de vantagem ao eleitor com a finalidade de obter seu voto. O TSE classifica essas práticas entre os ilícitos que podem comprometer a liberdade de escolha do eleitorado.
Roraima teve outras ações durante as eleições
As prisões em Mucajaí ocorreram em um contexto de intensificação das ações da Polícia Federal em Roraima durante as Eleições 2026.
No sábado (3), a corporação também deflagrou a Operação Umbra, com cumprimento de mandados de busca e apreensão em Boa Vista e Mucajaí. A investigação apura possível corrupção eleitoral e, durante as buscas, foram encontrados R$ 8 mil em espécie. Segundo a PF, as diligências buscam esclarecer a possível organização de grupos de eleitores, além de identificar eventuais beneficiários e financiadores de um esquema investigado.
Ainda em Roraima, a Polícia Federal havia realizado outras prisões relacionadas a suspeitas de compra de votos. Em uma ação realizada em Boa Vista, cinco pessoas foram presas em flagrante após a localização de uma residência onde, segundo a investigação, ocorreria suposta distribuição de dinheiro a eleitores. Na ocasião, foram apreendidos R$ 1,2 mil e material de propaganda eleitoral.
Também no estado, 11 pessoas foram presas em flagrante em uma ocorrência registrada na noite de 2 de outubro. A PF informou que foram apreendidos aproximadamente R$ 4,3 mil e materiais que, em tese, estariam relacionados à compra de votos.
PF reforça fiscalização durante o pleito
A Polícia Federal mantém operações em diferentes estados brasileiros para prevenir e investigar crimes eleitorais durante as eleições. Entre as ocorrências acompanhadas pela instituição estão casos de propaganda eleitoral irregular e suspeitas de corrupção eleitoral.
Em balanço divulgado neste domingo, a PF informou que dezenas de pessoas já haviam sido conduzidas em ocorrências relacionadas às eleições e que valores em dinheiro e outros bens foram apreendidos em diferentes estados. A instituição ressalta que os números são preliminares e podem sofrer alterações conforme novas ocorrências sejam registradas e os materiais apreendidos sejam analisados.
No caso de Mucajaí, os três presos foram autuados em flagrante e permanecem sujeitos aos procedimentos previstos pela Justiça Eleitoral. A investigação deverá esclarecer a origem dos valores, a finalidade do dinheiro encontrado e eventual participação de outras pessoas.
A apreensão dos recursos e dos materiais de campanha faz parte dos elementos que serão analisados pelas autoridades para determinar as circunstâncias dos fatos. A prisão em flagrante e a autuação pelo crime representam o início dos procedimentos de apuração, não uma condenação definitiva.
As duas ações realizadas em Mucajaí reforçam a atuação das forças de segurança na fiscalização do processo eleitoral e no combate a práticas que possam interferir na liberdade de escolha dos eleitores.
O caso segue sob análise das autoridades competentes, que deverão reunir os elementos necessários para esclarecer a possível utilização dos valores apreendidos em ações de compra de votos.
