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Home»Brasil»Feminicídios atingem recorde no Brasil em 2025, enquanto assassinatos caem ao menor nível em 13 anos
Brasil

Feminicídios atingem recorde no Brasil em 2025, enquanto assassinatos caem ao menor nível em 13 anos

redacaoBy redacao23 de julho de 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta aumento de 4% nos feminicídios e redução de 8% nas mortes violentas intencionais no país.

O Brasil registrou, em 2025, o maior número de feminicídios desde que o crime passou a ser tipificado na legislação brasileira, em 2015. Os dados fazem parte do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), e revelam um cenário preocupante: enquanto o país alcançou o menor número de mortes violentas intencionais dos últimos 13 anos, os assassinatos de mulheres por razões de gênero seguiram em trajetória de crescimento.

Segundo o levantamento, foram registrados 1.571 feminicídios ao longo de 2025, um aumento de 4% em relação aos 1.504 casos contabilizados no ano anterior. Na prática, isso representa uma média de quatro mulheres assassinadas por dia em decorrência da violência doméstica, familiar ou motivada pelo menosprezo e discriminação à condição feminina.

O resultado marca o maior número desde a criação da Lei do Feminicídio, que completou dez anos em 2025. De acordo com o Código Penal, o feminicídio é caracterizado quando o assassinato de uma mulher ocorre em contexto de violência doméstica e familiar ou em razão do gênero.

Na contramão desse indicador, o Brasil apresentou uma redução significativa nas mortes violentas intencionais. O país contabilizou 40.775 vítimas em 2025, número 8% inferior às 44.126 registradas em 2024. É o menor total desde o início da série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, iniciada em 2012.

As mortes violentas intencionais englobam homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial.

Outro dado inédito apontado pelo anuário foi a taxa nacional de 19,1 mortes violentas por 100 mil habitantes, a primeira vez que o índice fica abaixo da marca de 20 desde o início do levantamento. Até então, o menor índice registrado havia sido de 20,8 mortes por 100 mil habitantes.

Entre os estados que apresentaram as maiores reduções nas mortes violentas estão Amazonas, com queda de 32,5%, Rio Grande do Sul, com redução de 25,7%, e Mato Grosso, que registrou diminuição de 23,2%.

Apesar da melhora nos indicadores gerais de segurança pública, especialistas alertam que a violência contra a mulher continua avançando. Para Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o crescimento contínuo dos feminicídios não pode ser explicado apenas pelo aperfeiçoamento dos registros policiais.

Segundo ela, após uma década da tipificação do crime, seria esperado que os números se estabilizassem caso o aumento estivesse relacionado exclusivamente à melhoria das notificações. No entanto, a sequência de altas sugere um crescimento real da violência letal contra mulheres.

O anuário também identificou aumento em praticamente todos os principais indicadores relacionados à violência doméstica. As tentativas de feminicídio cresceram 6%, enquanto os casos de violência psicológica aumentaram 17%. O descumprimento de medidas protetivas também teve alta de 17%, os registros de perseguição (stalking) cresceram 30%, as agressões em contexto de violência doméstica subiram 2,6% e as ameaças aumentaram 0,5%.

Os dados mostram ainda que, em 2025, foram registradas aproximadamente três tentativas de feminicídio para cada caso consumado, reforçando a gravidade da violência praticada contra mulheres em todo o país.

O levantamento também traz outros indicadores relevantes da segurança pública brasileira. As mortes decorrentes de intervenção policial cresceram 5%, enquanto o número de policiais mortos caiu 3%.

Entre os demais destaques, o estudo aponta crescimento de 25% nos registros relacionados à produção, posse ou compartilhamento de material de abuso sexual infantil. Casos de bullying e cyberbullying aumentaram mais de 60% entre adolescentes após a criação de um tipo penal específico em 2024.

No sistema prisional, a população carcerária alcançou 964 mil pessoas, um crescimento de 6% em relação ao ano anterior. Mantida essa tendência, o Fórum projeta que o Brasil poderá ultrapassar a marca de 1 milhão de presos até 2027.

Outro dado apresentado pelo anuário revela que o país possui atualmente 2,1 milhões de pessoas e empresas autorizadas a possuir armas de fogo, sendo cerca de 1 milhão com registro de CAC (Caçadores, Atiradores e Colecionadores). Ao todo, existem aproximadamente 1,6 milhão de armas cadastradas, mas quase 30% desses registros estão vencidos.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública destaca que, embora a redução dos homicídios represente um avanço importante para o país, o crescimento persistente da violência de gênero demonstra que ainda existem desafios significativos para ampliar a proteção às mulheres e fortalecer as políticas públicas de prevenção e enfrentamento à violência doméstica.

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Anuário da Segurança Pública feminicídio feminicídio 2025 feminicídios Brasil violência de gênero violência doméstica
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