O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, não descartou a possibilidade de nomear o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, para comandar um ministério caso seja eleito nas eleições de 2026. Em entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Record, exibida neste domingo (30), Flávio afirmou que uma eventual participação do pai em seu governo dependeria da própria vontade de Jair Bolsonaro.
Questionado diretamente se o ex-presidente poderia assumir uma pasta em um eventual governo, Flávio respondeu: “Aí vai depender da vontade dele”.
O senador explicou, porém, que nunca houve uma conversa concreta entre os dois sobre Jair Bolsonaro assumir um ministério. Segundo Flávio, ele também não sabe se o pai teria interesse em ocupar formalmente um cargo no governo.
A declaração coloca novamente Jair Bolsonaro no centro da discussão sobre uma eventual administração de seu filho. Embora Flávio seja o candidato à Presidência, ele reconhece publicamente a influência política e pessoal do pai em sua campanha e afirma continuar recorrendo a ele como conselheiro.

Flávio diz que ainda consulta o pai
Durante a entrevista, Flávio destacou a importância de Jair Bolsonaro em suas decisões pessoais e políticas.
O senador afirmou que considera o pai um conselheiro e disse pensar nele durante os passos da campanha presidencial.
“Em cada passo que eu dou na minha vida, eu penso nele todos os segundos, nessa campanha, como eu gostaria que ele estivesse nas ruas, junto comigo”, declarou.
A fala ocorre em um momento em que Jair Bolsonaro está impedido de participar diretamente da campanha nas ruas em razão das restrições impostas pela Justiça e cumpre pena após condenação pelo Supremo Tribunal Federal.
O STF condenou o ex-presidente a 27 anos e três meses de prisão pelos crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado. Atualmente, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária, medida que foi mantida pelo ministro Alexandre de Moraes em julho de 2026.
A situação jurídica do ex-presidente é, portanto, um dos principais elementos que diferenciam uma eventual participação política futura de uma simples escolha administrativa.
Possibilidade de ministério ainda não foi definida
Apesar da declaração de Flávio, não existe, até o momento, anúncio de que Jair Bolsonaro ocuparia um ministério em um eventual governo do filho.
O próprio candidato afirmou que nunca houve uma conversa específica sobre qual pasta o pai poderia comandar.
A possibilidade mencionada na entrevista deve ser entendida como uma hipótese. Flávio deixou a decisão condicionada à vontade de Jair Bolsonaro, sem indicar qual área do governo poderia ser destinada ao ex-presidente.
Uma eventual nomeação dependeria ainda das condições jurídicas existentes no momento de uma possível posse e das regras aplicáveis ao exercício de funções públicas.
A situação de Bolsonaro pode sofrer alterações até lá, especialmente porque decisões judiciais, recursos e o cumprimento da pena podem modificar seu regime de cumprimento e suas condições legais.

Anistia e indulto estão entre as promessas de Flávio
Além da possibilidade de contar com o pai em seu governo, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende atuar pela anistia de Jair Bolsonaro e de pessoas condenadas pelos atos relacionados ao 8 de Janeiro.
Segundo o candidato, a estratégia inicial seria trabalhar no Congresso Nacional para aprovar uma legislação de anistia.
Caso isso não aconteça, Flávio afirmou que recorreria ao indulto.
“A gente vai trabalhar no Congresso para que aconteça a anistia e caso não dê tempo de acontecer, nós vamos indultar sim essas pessoas”, declarou.
A proposta coloca a situação jurídica do ex-presidente e dos condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes como uma das principais bandeiras da campanha de Flávio.
A diferença entre anistia e indulto, entretanto, é relevante. A anistia depende de lei aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada ou promulgada conforme o processo legislativo, enquanto o indulto é um ato de competência do presidente da República, dentro dos limites constitucionais e legais.

Bolsonaro está em prisão domiciliar
Jair Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A pena começou a ser cumprida em novembro de 2025.
Em março de 2026, o STF concedeu prisão domiciliar humanitária temporária ao ex-presidente após problemas de saúde. Em julho, o ministro Alexandre de Moraes decidiu manter a medida, considerando a evolução do quadro clínico e as circunstâncias do cumprimento da pena.
A decisão também manteve restrições impostas ao ex-presidente.
Por isso, qualquer eventual participação de Bolsonaro em um futuro governo dependeria não apenas de uma decisão política de Flávio, mas também da situação jurídica do ex-presidente no momento em que uma eventual nomeação fosse considerada.
Flávio tenta manter legado político do pai
A possibilidade de Jair Bolsonaro integrar um eventual governo também reforça a estratégia de Flávio de manter o pai como uma referência central de sua candidatura.
Ao longo da campanha, o senador tem apresentado propostas alinhadas ao campo político associado ao ex-presidente e defendido medidas voltadas à reversão ou revisão de condenações relacionadas aos atos de 8 de Janeiro.
Ao mesmo tempo, Flávio tem buscado apresentar sua própria candidatura à Presidência, inclusive fazendo declarações sobre temas econômicos, segurança pública, funcionamento do STF e regras eleitorais.
A relação entre pai e filho, contudo, continua sendo um dos principais elementos da campanha.
Na entrevista à Record, Flávio deixou claro que não pretende excluir Jair Bolsonaro de uma eventual administração. Pelo contrário, afirmou que a participação do ex-presidente poderá acontecer caso ele próprio tenha interesse.
Por enquanto, entretanto, não há ministério definido, nem confirmação de que Jair Bolsonaro assumiria qualquer cargo em um eventual governo do filho.
A declaração de Flávio abre essa possibilidade, mas deixa a decisão em aberto.