Na última terça-feira (1), o Senado aprovou incentivo fiscal para instalação e expansão de data centers no Brasil. Com estimativas de renúncias em R$ 7,25 bilhões até 2028, o projeto de lei 278/2026 já passou pela Câmara dos Deputados e seguiu para a sanção presidencial. Assim, a aquisição da infraestrutura relacionada à computação na nuvem, processamento de dados e inteligência artificial estaria facilitada.
Entre os critérios de recebimento, estão: mínimo de 10% da capacidade instalada em território nacional, investir 2% do valor dos equipamentos em pesquisa e inovação, atender à demanda energético das construções, bater metas de eficiência hídrica e publicar relatórios sustentáveis. No entanto, as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste tiveram as regras flexibilizadas para impulsionar a indústria, historicamente mais concentrada no Sul e Sudeste.
Ambientalistas criticaram a medida e vêm sendo umas das vozes mais incisivas contra a proliferação de data centers, desde comprovados os volumes de água que consomem e o enorme impacto na natureza. O senado ainda modificou a exigência de fontes “limpas ou renováveis” para “renováveis ou de baixa emissão”, abrindo espaço combustíveis fósseis como o gás natural.
Data centers possuem má visão nos EUA
Em 2023, uma pesquisa da MIT Technology Review calculou 25 milhões de litros de água gastos por dia para sustentar o ChatGPT. O Departamento de Energia dos Estados Unidos (EUA) previu que os data centers respondam por até 12% do consumo energético do país nos próximos dois anos. Outro fator prejudicial é a poluição sonora, pois o barulho dos data centers supera o de ventiladores em velocidade máxima e ocorre sem interrupção.
Nos EUA, um estudo da Gallup identificou rejeição massiva dos data centers entre diferentes espectros políticos. Quando perguntados se apoiariam a construção deles perto de casa, 75% dos Democratas se opõem parcial ou totalmente. Entre os Republicanos, 63% rejeitam em parte ou por completo. Por fim, 73% dos eleitores Independentes rechaçam a proposta.
Isso não colaborou para a imagem de Donald Trump, com 65% de desaprovação segundo levantamento da Reuters/Ipsos divulgado em julho. Ele criticou o veto à novos data centers em Nova York, receoso de que o país perdesse terreno para a China. Em razão da guerra iniciada contra o Irã, Trump diminuiu suas aparições públicas e o contato com cidadãos. Analistas afirmam que essa falta de contato leva o presidente à apoiar causas extremamente impopulares.
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