Novas mensagens obtidas pelo celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro revelaram um suposto contrato de advocacia com a “Turma do KN”. O contexto permite a interpretação de que KN faria referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kassio Nunes Marques. Segundo documentos acessados pela jornalista Andreza Matais do Metrópoles, o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia; havia sido contratado pelo Master e tinha interesse numa ação que poderia render até R$ 8,5 bilhões em precatórios.
A dona do escritório, Camilla Ramos, comemorou o placar favorável ao Master em julgamento. “Grande vitória hoje na 2ª Turma do STF. E um excelente voto do Min. Nunes Marques”, escreveu. Ela é esposa de Newton Ramos, desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Em mensagens anteriores, foi mostrado que Newton repassava pedidos do ministro à Vorcaro. Newton e Nunes teriam se beneficiado de uma mansão do ex-banqueiro no carnaval de 2025.
O valor dos honorários passíveis de serem ganhos pelo escritório chegava a R$ 427 milhões, de acordo com o contrato. A ação dizia respeito à precatórios de usinas de cana-de-açúcar e a Segunda Turma do STF deu vitória à Vorcaro por 3 a 2. Desde julho, as informações estão no HD enviado pela Polícia Federal ao gabinete do ministro André Mendonça, mas só vieram a público após Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes exigirem cópias integrais na metade de setembro.
Chances de suspeição de Nunes aumentam
A expressão “Turma do KN” apareceu em mensagens de assessores à Vorcaro. “Dani, turma do KN (Newton) me mandou aqui 6 nomes para colocar na lista do Camarote… posso encaminhar isso lá pra lista do Camarote, né?”, perguntou. Com a divulgação de que Vorcaro teria pago R$ 500 ao seu filho, Nunes se declarou impedido na discussão para decidir se as petições de Alexandre de Moraes e Mendonça seriam julgadas em conjunto ou separadamente. Mensagens mostraram que Vorcaro tinha interlocução direita com Moraes e se encontrou em pessoa com Mendonça para falar sobre precatórios. Em 2026, Nunes Marques ficou responsável pela presidência do Tribunal Superior Eleitoral, como manda o rito de distribuição seguido pelos ministros do STF.
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