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Home»Brasil»Estudo aponta queda de quase 50% na prevalência do HPV entre jovens após vacinação no Brasil
Brasil

Estudo aponta queda de quase 50% na prevalência do HPV entre jovens após vacinação no Brasil

mrgsantos.recordtv@gmail.comBy mrgsantos.recordtv@gmail.com25 de julho de 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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A vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) reduziu quase pela metade a prevalência dos principais tipos do vírus entre jovens brasileiros, segundo o maior estudo já realizado na América Latina para avaliar a eficácia do imunizante. Os resultados também apontam um importante efeito indireto da imunização, com redução da circulação do vírus até mesmo entre pessoas que não receberam a vacina.

A pesquisa Pop-Brasil, desenvolvida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, comparou dados coletados antes e depois da ampliação da vacinação no país. O levantamento mostrou que a presença dos quatro principais subtipos de HPV cobertos pela vacina caiu de 14,98% para 7,95% entre os participantes, representando uma redução de quase 50% na prevalência desses vírus.

Na primeira etapa da pesquisa, realizada entre 2016 e 2017, foram analisadas amostras de 6.388 participantes de ambos os sexos que ainda não haviam sido vacinados. Já na segunda fase, entre 2020 e 2023, mais de 10 mil pessoas participaram do estudo, incluindo indivíduos vacinados e não vacinados. As coletas foram feitas em unidades de saúde de diferentes regiões do país.

O foco da pesquisa foi a população entre 16 e 25 anos, faixa etária considerada a mais adequada para avaliar os impactos da vacinação. Segundo a coordenadora do estudo, a médica epidemiologista Eliana Wendland, esse grupo concentra a maior incidência de infecção pelo HPV devido ao início da vida sexual e, ao mesmo tempo, reúne pessoas que já deveriam ter sido contempladas pelas campanhas de imunização.

Apesar disso, os pesquisadores identificaram que a cobertura vacinal ainda está abaixo da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde. Entre meninas e mulheres participantes da pesquisa, 61,8% haviam recebido a vacina. Entre os homens, a cobertura foi ainda menor, atingindo apenas 31,1%. A meta nacional é alcançar 90% do público-alvo.

Mesmo com índices inferiores ao recomendado, os resultados demonstraram alta eficácia da vacinação. Entre meninas e mulheres, a prevalência dos quatro subtipos do HPV protegidos pela vacina caiu de 15,6% na primeira fase para apenas 3,1% entre aquelas que haviam sido imunizadas na segunda etapa do estudo.

Os pesquisadores também observaram um fenômeno conhecido como efeito rebanho ou proteção coletiva. Entre mulheres que não receberam a vacina, a prevalência dos subtipos protegidos também diminuiu, passando para 10,5% na segunda fase da pesquisa. Isso ocorre porque, quanto maior a cobertura vacinal da população, menor é a circulação do vírus, reduzindo as chances de transmissão inclusive para pessoas não imunizadas.

Entre os homens vacinados, a prevalência dos subtipos cobertos pelo imunizante caiu de 13,8% para 4,6%. Já entre aqueles que não receberam a vacina, a pesquisa não identificou redução estatisticamente significativa. Segundo os pesquisadores, esse resultado está relacionado à baixa cobertura vacinal masculina observada no país.

Os autores do estudo destacam que muitos meninos ainda recebem menos incentivo para se vacinar contra o HPV, principalmente devido à percepção equivocada de que o vírus está relacionado apenas ao câncer do colo do útero. No entanto, a infecção também está associada ao desenvolvimento de câncer de pênis, ânus, garganta e outras doenças que afetam homens e mulheres.

Outro dado considerado relevante pelos pesquisadores é que, enquanto a circulação dos quatro principais subtipos protegidos pela vacina diminuiu, a prevalência geral do HPV aumentou na população estudada. Considerando todos os tipos existentes do vírus, a taxa passou de 46,7% para 56,6% entre as duas fases da pesquisa, reforçando que a redução observada ocorreu especificamente nos subtipos contemplados pelo imunizante.

O estudo também trouxe evidências favoráveis ao atual esquema de vacinação adotado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os pesquisadores não encontraram diferenças significativas na prevalência do vírus entre pessoas que receberam uma, duas ou três doses da vacina, indicando que a estratégia de dose única pode oferecer proteção semelhante para o público recomendado.

A vacinação contra o HPV foi incorporada ao calendário do SUS em 2014, inicialmente destinada apenas às meninas. Em 2017, a imunização foi ampliada para os meninos, e, em 2024, o Ministério da Saúde alterou o esquema vacinal de duas doses para apenas uma.

Atualmente, a vacina é oferecida gratuitamente para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. O programa também contempla alguns grupos considerados mais vulneráveis, como pessoas imunossuprimidas, vítimas de violência sexual, usuários da profilaxia pré-exposição (PrEP) e pacientes que já apresentaram lesões precursoras do câncer do colo do útero.

O HPV é um dos vírus sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. Embora existam dezenas de subtipos, alguns deles possuem elevado potencial para causar câncer, especialmente no colo do útero, além de tumores em outras regiões do corpo. A vacina disponível na rede pública protege contra os principais tipos associados ao desenvolvimento dessas doenças e é considerada uma das estratégias mais eficazes para prevenção do câncer relacionado ao HPV.

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  • mrgsantos.recordtv@gmail.com
    mrgsantos.recordtv@gmail.com
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