O canal humorístico Porta dos Fundos soltou uma nota no Instagram sobre o escândalo do Banco Master, que teve o ex-dono Daniel Vorcaro preso em março desse ano. Em relação à liquidação da instituição financeira, o comunicado disse: “Essas receitas são fundamentais para manter toda uma estrutura de sacanagem, centros de treinamento de cambalacho e think tanks de putaria. Uma mudança abrupta nas regras, proibindo a corrupção, afetaria todo o mercado de promiscuidade no Brasil”.
A publicação foi uma clara referência à nota conjunta da Federação Paulista de Futebol, Sindicato dos Atletas, clubes do Rio de Janeiro e outros estados. Nela, os clubes argumentaram que a proibição das Bets após um processo de regulamentação no Congresso Nacional e com contratos já firmados, ocasionaria enorme insegurança jurídica e a falência de muitos times de futebol.
De acordo com o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), cerca de R$ 62,5 bilhões foram tirados das famílias brasileiras pelas Bets, em 2025. Embora os clubes reconheçam o impacto delas entre os pobres e mais vulneráveis, justificam sua manutenção por razões financeiras, assim como o Porta dos Fundos fez com o caso Master. Vorcaro foi acusado de vender títulos podres, que não valiam o que aparentavam, e de fraudar fundos de pensão do Amapá e Rio de Janeiro. Por mais que ele e alguns políticos tenham enriquecido com a prática, milhões de aposentados foram prejudicados.
Bets têm alta rejeição nacional
Em agosto, uma pesquisa do estúdio CLARICE em parceria Estratégia Latina e o IDEIA, captou que 56% dos brasileiros defendiam a proibição das Bets. No recorte por gênero, 62% das mulheres e 50% dos homens são à favor do banimento. Entre os eleitores de espectros políticos opostos, como os de Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL), o apoio se manteve em 62% e 56%, respectivamente. As postagens dos clubes tiveram milhares de comentários negativos e de reprovação à postura, demonstrando a ampla rejeição da população às Bets.
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