O sarampo voltou a exigir atenção das autoridades de saúde brasileiras em 2026 diante da identificação de novos casos e do risco de ampliação da circulação do vírus. A doença é altamente contagiosa e pode provocar complicações graves, principalmente em crianças pequenas e pessoas não imunizadas. Entre os sinais mais conhecidos estão a febre alta, tosse, conjuntivite e o aparecimento de manchas vermelhas que costumam surgir inicialmente no rosto e atrás das orelhas antes de se espalharem pelo corpo.
O cenário fez o Ministério da Saúde reforçar as estratégias de vacinação em diferentes localidades. Em julho, a pasta ampliou a recomendação para Guarulhos, São Bernardo do Campo e São Paulo, orientando a vacinação contra o sarampo para pessoas de 6 meses a 59 anos durante a Campanha de Multivacinação realizada entre 3 de agosto e 1º de setembro. A medida foi adotada após a identificação de uma cadeia de transmissão relacionada à importação do vírus.
Até a atualização divulgada pelo Ministério da Saúde em julho, o Brasil havia confirmado 14 casos de sarampo em 2026, sendo 11 relacionados a um surto ativo naquele momento: dois em São Bernardo do Campo e nove na capital paulista. As investigações sobre a origem da transmissão continuavam em andamento.

Por que o sarampo voltou a preocupar?
O sarampo havia sido eliminado como doença endêmica no Brasil, mas a queda da cobertura vacinal e a circulação internacional de pessoas aumentam o risco de reintrodução e transmissão do vírus.
Em junho, o Ministério da Saúde havia alertado para o risco de reintrodução da doença no país diante do intenso fluxo de viajantes relacionado à Copa do Mundo de 2026 e do cenário epidemiológico observado nas Américas.
A preocupação não está relacionada apenas à chegada de pessoas infectadas ao território nacional. Como o sarampo possui uma capacidade de transmissão muito elevada, pessoas não vacinadas que entram em contato com o vírus podem desenvolver a doença e contribuir para a formação de novas cadeias de transmissão.
Em julho, o Ministério da Saúde informou que, em 2026, já havia distribuído mais de 7,2 milhões de doses da vacina tríplice viral aos estados e municípios. Cerca de 2,9 milhões dessas doses já haviam sido aplicadas em todo o país.
O que é o sarampo?
O sarampo é uma doença infecciosa provocada por um vírus e transmitida principalmente pelas vias respiratórias. A infecção pode ocorrer quando uma pessoa doente tosse, espirra, fala ou respira, liberando partículas que podem permanecer no ambiente e atingir outras pessoas suscetíveis.
A doença é considerada altamente contagiosa. Por isso, indivíduos que não possuem imunidade podem ser infectados mesmo após uma exposição relativamente breve a uma pessoa contaminada.
A transmissão pode começar antes mesmo de as manchas características aparecerem. Por esse motivo, reconhecer os primeiros sinais e procurar atendimento é importante para evitar a disseminação do vírus.
Quais são os principais sintomas?
Os sintomas do sarampo podem inicialmente ser confundidos com os de outras infecções virais. A doença, porém, apresenta um conjunto de sinais que merece atenção.
Entre os principais sintomas estão:
- febre alta, geralmente acima de 38,5 °C;
- tosse seca;
- conjuntivite ou irritação nos olhos;
- mal-estar intenso;
- manchas vermelhas na pele.
Segundo o Ministério da Saúde, entre três e cinco dias depois do início dos sintomas, é comum aparecer o exantema, nome dado às manchas avermelhadas. Elas geralmente começam no rosto e atrás das orelhas e posteriormente avançam para outras partes do corpo.
A presença de febre e manchas, especialmente quando acompanhadas de tosse ou conjuntivite, deve ser avaliada por um profissional de saúde.

Como ocorre a transmissão?
A transmissão ocorre principalmente pelo ar, por meio de partículas eliminadas por uma pessoa infectada ao tossir, espirrar, falar ou respirar.
Uma característica importante é que o período de transmissão começa antes do surgimento das manchas. De acordo com as orientações do Ministério da Saúde, uma pessoa infectada pode transmitir o vírus entre seis dias antes e quatro dias depois do aparecimento do exantema.
Isso explica por que o sarampo pode se espalhar rapidamente antes mesmo de o diagnóstico ser confirmado.
Por esse motivo, pessoas que apresentem sintomas compatíveis e tenham tido contato com casos suspeitos ou confirmado histórico de viagem para locais com circulação do vírus devem procurar orientação médica e informar essa possibilidade ao serviço de saúde.
Quais são os riscos e complicações?
Embora algumas pessoas possam apresentar uma evolução sem complicações, o sarampo não deve ser considerado uma doença simples. A infecção pode provocar problemas respiratórios, neurológicos e outras complicações.
Entre as possíveis consequências estão:
Pneumonia: é uma das complicações mais importantes e pode ser especialmente grave em crianças pequenas.
Otite: a infecção no ouvido pode ocorrer durante a evolução da doença e, em determinados casos, provocar problemas auditivos.
Encefalite: a inflamação do cérebro é uma complicação menos frequente, mas potencialmente grave e capaz de provocar sequelas.
Desnutrição: crianças que adoecem podem apresentar comprometimento do estado nutricional e levar semanas para recuperar completamente suas condições anteriores.
Morte: em situações graves, principalmente quando existem complicações, o sarampo pode ser fatal.
O risco de complicações reforça a importância da prevenção e do diagnóstico adequado, especialmente entre crianças menores de 5 anos.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico pode levar em consideração os sintomas e o histórico epidemiológico do paciente. Entretanto, a confirmação laboratorial é importante para os casos suspeitos.
Podem ser coletadas amostras de sangue e materiais de secreção de orofaringe ou nasofaringe, além de urina, conforme a avaliação e os protocolos de vigilância.
O diagnóstico é particularmente importante em períodos de circulação do vírus porque permite que as autoridades de saúde identifiquem casos, investiguem contatos e adotem medidas para interromper a transmissão.
Existe tratamento para o sarampo?
Não existe um medicamento específico capaz de eliminar o vírus do sarampo. O tratamento é direcionado ao controle dos sintomas e à prevenção ou manejo das complicações.
A orientação é procurar atendimento médico diante de sintomas compatíveis e evitar a automedicação.
Antibióticos não tratam o vírus do sarampo e não devem ser utilizados por conta própria. Eles podem ser indicados somente quando houver uma infecção bacteriana secundária identificada pelo profissional de saúde.
Nos casos sem complicações, cuidados como hidratação adequada, suporte nutricional e controle da febre fazem parte da assistência ao paciente.
Quando tomar a vacina contra o sarampo?
A vacinação é a principal estratégia de prevenção contra a doença. O Calendário Nacional de Vacinação de 2026 prevê a vacina tríplice viral para crianças a partir dos 12 meses e estabelece diferentes recomendações conforme a idade e o histórico de vacinação.
Na rotina, o esquema infantil prevê:
- 12 meses: primeira dose da vacina tríplice viral;
- 15 meses: segunda dose da vacina tríplice viral, podendo ser utilizada a tetraviral em determinadas situações;
- Adolescentes e jovens: devem verificar o histórico e completar o esquema quando houver doses faltantes;
- Adultos até 29 anos: são considerados adequadamente protegidos quando possuem duas doses registradas;
- Adultos de 30 a 59 anos: devem ter pelo menos uma dose registrada, conforme o histórico vacinal;
- Trabalhadores da saúde: há recomendação de duas doses, independentemente da idade, conforme o histórico vacinal.
As recomendações podem ser modificadas temporariamente diante de surtos ou situações de risco epidemiológico.
E a chamada dose zero?
Em situações de risco epidemiológico, a vacinação pode ser antecipada para bebês entre 6 e 11 meses. Essa aplicação é conhecida como dose zero.
É importante destacar que a dose zero não substitui as doses previstas no calendário de rotina. Depois dela, a criança continua precisando receber as doses programadas a partir dos 12 meses.
A própria Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação de 2026 estabelece que a dose aplicada entre 6 e 11 meses em situação de risco não deve ser contabilizada como uma das doses de rotina.
Em São Paulo, a Secretaria Municipal da Saúde passou a disponibilizar a dose zero para crianças de 6 meses a menores de 1 ano em junho, dentro da estratégia de enfrentamento ao risco de reintrodução do vírus.
Gestantes devem tomar a vacina?
A vacina tríplice viral é contraindicada durante a gestação. Mulheres que não foram vacinadas ou que possuem esquema incompleto devem receber a proteção indicada após o parto, conforme orientação do serviço de saúde.
Por isso, é importante que mulheres que pretendem engravidar verifiquem previamente sua situação vacinal.
O que fazer diante de sintomas?
Uma pessoa com febre alta, manchas avermelhadas, tosse e conjuntivite deve procurar atendimento médico, principalmente se houve contato com um caso suspeito ou viagem recente para região com circulação do vírus.
Não é recomendável sair de casa ou frequentar ambientes coletivos sem orientação quando houver suspeita de uma doença altamente transmissível. Ao buscar atendimento, o paciente deve informar os sintomas e eventual histórico de viagem ou contato com pessoas infectadas.
Também é importante não tentar confirmar o diagnóstico apenas pelas manchas na pele. Outras doenças podem provocar sintomas semelhantes, e a avaliação médica e laboratorial é fundamental.

Vacinação continua sendo a principal proteção
O cenário registrado em 2026 reforça a importância de manter a vacinação atualizada. O Ministério da Saúde informa que a imunização contra o sarampo está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde e orienta a população a procurar uma unidade de saúde para verificar a situação da caderneta.
A ausência do cartão de vacinação não impede que a pessoa procure uma unidade para avaliar quais doses são necessárias. O Ministério da Saúde também informa que, em caso de perda do documento, é possível solicitar uma nova via.
O avanço de casos em determinadas localidades não significa que todas as pessoas estejam em risco da mesma maneira. A situação epidemiológica pode variar conforme a região, o histórico de vacinação e a ocorrência de cadeias de transmissão.
Por isso, diante da circulação do vírus, a recomendação é verificar a caderneta, seguir o calendário oficial e procurar orientação de profissionais de saúde quando houver dúvida sobre a necessidade de vacinação.
