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Home»Economia»Por que o trabalhador precisa da comunidade LGBT mais do que pensa
Economia

Por que o trabalhador precisa da comunidade LGBT mais do que pensa

Grupo está na linha de frente contra articulação do Congresso para aumentar a carga horária.
Jônathas GrunheidtBy Jônathas Grunheidt1 de junho de 2026Updated:14 de agosto de 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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Ao centro, duas trabalhadores negras da construção civil olham de frente. Elas estão uniformizadas. As cores da bandeira LGBT aparecem suavemente sobre elas.
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O fim da escala 6×1 para o trabalhador se aproxima após a aprovação da proposta na Câmara, no dia 27 de maio. À contragosto, muitos políticos aliados do empresariado votaram à favor por estarem em ano eleitoral. Seja a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que institui a escala 5×2 aprovada ou não no Senado, ter chegado tão longe pode, finalmente, demonstrar para a sociedade brasileira que defender os direitos das minorias não só beneficia elas, mas o país inteiro. 

Na longínqua cidade do Rio de Janeiro, um balconista sentiu na pele a jornada exaustiva do trabalhador, como milhões de brasileiros ainda sentem. Rick Azevedo (PSOL) se tornou vereador e encabeçou o movimento Vida Além do Trabalho (VAT). A jornada dele pelo fim da 6×1 seria mais tortuosa e, potencialmente, mal sucedida, sem o apoio da deputada federal Erika Hilton. 

O que conecta trabalhador e comunidade

Colegas partidários, um gay e uma travesti, que lutam a cada segundo para provar que merecessem viver, decidiram comandar uma batalha por todos os trabalhadores. Alguns dizem que a comunidade LGBT+ não deveria ser pauta do trabalhador, pois divide a classe. Oras, quem saberia mais sobre reivindicar direitos e combater a exploração do que o grupo mais vulnerável no Brasil?

Boa parte das transexuais e travestis recorrem à prostituição por falta de oportunidade no mercado de trabalho e pelos pais expulsarem de casa. Estudo recente do Banco Mundial, que entrevistou mais de 11 mil pessoas, revelou que o desemprego da população LGBT+ é o dobro da geral. Calcula-se que o Brasil perca R$ 94,4 bilhões anuais em razão da exclusão desses trabalhadores.

Quase 73% relataram ter sofrido preconceito em ambiente de trabalho, 64% confirmaram discriminação. Dados do Atlas da Violência 2026 revelaram aumento dos registros contra todos os grupos da comunidade. Se houveram avanços como a criminalização da homofobia, o reconhecimento da união estável e permissão para adoção, por que isso acontece? A resposta já está na pergunta. 

Se grupos marginalizados e silenciados passaram a ter espaço e voz social, é porque alguém os perdeu. Na política, espaços existem para serem ocupados. Ninguém gosta de ter menos do que foi adquirido, então é natural que parte da maioria social sinta raiva ao perder, por exemplo, 10% do que tinha. O físico Isaac Newton dizia que toda ação tem uma reação. Isso foi verdade quando a Igreja Católica combateu a Reforma de Lutero e se prova, ainda, ao observar os casos de feminicídios explodirem com o avanço da representação feminina. 

LGBTs combatem problemas estruturais

Outros cultivam ressentimento por se sentirem ameaçados nas zonas de conforto. Maioria da população, o cristão heterossexual não teme ou odeia um gay, odeia a possibilidade de que mais pessoas ao redor não sejam iguais à ele. Há uma busca constante pela reafirmação da própria identidade no convívio social. Em janeiro deste ano, 52% disseram apoiar o casamento gay em pesquisa PoderData. Talvez, o dado não signifique um endosso à prática, apenas uma indiferença. É exatamente isso que deixa os cidadãos ressentidos mais barulhentos. Eles combatem e, portanto, se importam.

Em 2025, dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento revelaram subida de 240% em adoções por casais gays em 5 anos. Num país onde muitas crianças não têm o nome do pai registrado ou sequer uma família de suporte, a comunidade vista com maus olhos ajuda a resolver os problemas reais. Eles tendem a adotar mais velhos, negros e com irmãos, na contramão da preferência por bebês brancos. 

No mercado de trabalho, a maior fatia de trabalhadores ganha até dois salários mínimos. Em mais um mês do Orgulho Gay, aqui está a comunidade ajudando novamente o povo à solucionar problemas que ela não criou e que sofre em dobro. Diante disso, a questão poderia não ser por que defender minorias, mas ‘por que um gay deveria lutar por você no meio de tantas adversidades?’ Você merece? Ironicamente, a comunidade LGBT+ é igual aos que a combatem, no desejo por mais tempo para si e com as pessoas que amam.

A opinião aqui demonstrada é inteiramente pessoal e não reflete o posicionamento do veículo Minuto News.

Autor

  • Jônathas Grunheidt

    Jornalista pela UFSM/FW. Explora os hábitos de consumo, relações de trabalho e políticas que moldam a sociedade.

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Jônathas Grunheidt
  • Website

Jornalista pela UFSM/FW. Explora os hábitos de consumo, relações de trabalho e políticas que moldam a sociedade.

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