Após a criação de uma mesa de negociação e cinco sessões de trabalho, foi acordado que o ouro venezuelano no Banco da Inglaterra deve ir para as contas dos Estados Unidos (EUA). Segundo o deputado da Venezuela em entrevista à Venevisión, Ramon López, a medida facilitaria o financiamento de moradias, centros de saúde, escolas e demais áreas atingidas. Em teoria, a aplicação desses recursos passaria por uma auditoria internacional para utilização correta. Os terremotos que atingiram a Venezuela a partir de 24 de junho já provocaram quase 6.500 mortes e cerca de 75 mil feridos.
A captura do ex-ditador Nicolás Maduro levou à condenação em tribunal estadunidense por suposto envolvimento com o narcotráfico e à ascensão de Delcy Rodríguez ao cargo de presidente. Mais de mil presos políticos foram libertos, os EUA passou a comprar mais petróleo venezuelano e as sanções econômicas diminuíram. Com isso, Donald Trump ofereceu auxílio no processo de recuperação pós-terremoto.
A longa disputa judicial pelo ouro
A disputa pela administração do ouro era antiga. Em 2019, a Inglaterra não reconheceu a manutenção de mandato de Maduro e estava inclinada ao autoproclamado presidente Juan Guaidó. Os dois políticos reivindicavam direito sobre as 32 toneladas de ouro. De acordo com a consultoria Síntese Financeira, seis toneladas foram vendidas em 2025 para conter a disparada do dólar perante as restrições dos EUA. Ainda assim, as reservas internacionais subiram 30% ano passado.
Nos últimos doze anos, o ouro da Venezuela teria sofrido uma redução de 80%. Como a Inglaterra considerava o governo ilegítimo, os recursos ficaram imóveis durante alguns anos. Para o deputado López, o novo acordo não configuraria governo de coalização e permitiria a reativação de ações atreladas ao ouro para valorização e uso dos investimentos. Outras pautas da negociação envolveram o “fortalecimento da democracia” por meio do Poder Judiciário e Eleitoral.
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