A Meta retirou do ar perfis utilizados por Renan Santos, candidato do Missão à Presidência da República, após uma determinação do ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A empresa informou à Corte que tornou indisponíveis as contas mencionadas na decisão e também retirou os perfis dos sistemas de recomendação do Facebook e do Instagram.
A determinação faz parte do processo de registro da candidatura de Renan Santos e está relacionada à comunicação, fora do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral, de contas utilizadas pela campanha nas redes sociais. Além da Meta, o TikTok comunicou ao TSE que também suspendeu os perfis do candidato atingidos pela decisão.
O impacto foi ampliado com a retirada do canal de Renan Santos do YouTube, segundo verificação realizada pelo veículo que acompanhou o caso. Com isso, a campanha passou a ter uma presença digital significativamente menor justamente durante o período eleitoral.

Meta confirma cumprimento da decisão
Em manifestação encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral, o Facebook Brasil informou que, depois de receber a ordem judicial, acionou a estrutura da Meta Platforms para cumprir as determinações estabelecidas por Dias Toffoli.
A empresa afirmou que adotou três medidas principais relacionadas às contas mencionadas na decisão.
- Tornou indisponíveis os perfis e contas indicados pelo ministro;
- retirou essas contas dos sistemas de recomendação do Facebook e do Instagram;
- preservou dados relacionados aos perfis a partir de 7 de agosto de 2026.
A preservação das informações é uma etapa importante para a investigação porque permite que a Justiça Eleitoral tenha acesso posterior a dados relacionados à atividade das contas.
Entre os elementos que podem ser analisados estão publicações, anúncios, impulsionamentos, alcance e informações sobre recomendações feitas pelas próprias plataformas.
A Meta também informou que poderá ser novamente acionada caso o TSE determine novas providências relacionadas ao caso.
TikTok também suspendeu contas
O TikTok comunicou ao TSE que também cumpriu a determinação e suspendeu os perfis de Renan Santos atingidos pela decisão.
A retirada das contas de diferentes plataformas reduziu de maneira significativa os canais pelos quais a campanha vinha divulgando conteúdo eleitoral.
O caso ganhou repercussão porque as redes sociais têm papel central na comunicação de candidatos, especialmente para campanhas que possuem menor espaço em meios tradicionais de propaganda.
No caso de Renan Santos, a decisão atinge uma parcela relevante de sua estratégia digital.

Por que Toffoli determinou a suspensão
A decisão de Dias Toffoli está relacionada à forma como os perfis utilizados pela campanha foram informados à Justiça Eleitoral.
No pedido de registro da candidatura, Renan Santos havia indicado originalmente um site e um perfil na rede social X.
Posteriormente, outras contas utilizadas pela campanha foram apresentadas ao TSE.
Segundo a decisão, parte dos perfis foi comunicada fora do prazo previsto pelas regras eleitorais. Para Toffoli, a situação poderia dificultar a fiscalização da propaganda eleitoral na internet e criar uma vantagem indevida nos mecanismos de distribuição de conteúdo das plataformas.
O ministro apontou indícios de uma possível “omissão estratégica” na comunicação das contas.
A avaliação é de que a Justiça Eleitoral precisa ter conhecimento dos canais utilizados oficialmente pelas campanhas para acompanhar a publicidade, identificar gastos, impulsionamentos e outras formas de divulgação.
Decisão também afeta Fundo Eleitoral e debates
A decisão de Toffoli não ficou restrita às redes sociais.
Além de suspender a propaganda eleitoral nos perfis considerados irregulares, o ministro determinou a suspensão dos repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para a chapa de Renan Santos e Aroldo Medina.
Também foi determinada a proibição de utilização de eventuais recursos já recebidos.
Outro ponto envolve a participação dos candidatos em debates. Enquanto a decisão estiver em vigor, a chapa fica impedida de participar de debates em rádio, televisão, podcasts e outros meios de comunicação abrangidos pela determinação.
A medida amplia o impacto da decisão sobre a campanha, que passa a enfrentar restrições não apenas no ambiente digital, mas também em outras formas de comunicação eleitoral.

Campanha lamenta perda dos perfis
Em áudio divulgado pela equipe de campanha de Renan Santos e disponibilizado pelo aplicativo Valete Plus, o candidato comentou a retirada gradual de seus perfis das plataformas.
Segundo Renan, a suspensão começou a atingir diferentes redes sociais e poderia avançar para outras ferramentas utilizadas pela campanha.
“Vocês devem ter visto que caiu paulatinamente o TikTok, o Youtube, o Insta [Instagram]. O Insta é da Meta, então o Facebook que vai cair no momento. Não sei como vai ser com o Kawai, com o WhatsApp, mas é questão de tempo também. E vai restar muito pouco para mim”, afirmou.
A declaração demonstra a preocupação da campanha com a redução dos canais de comunicação disponíveis.
O candidato ainda mantém alguns meios de contato com eleitores, mas a quantidade de plataformas disponíveis é menor após o cumprimento das ordens judiciais.
Maioria das contas está fora do ar
Das 18 contas apresentadas pela campanha ao TSE em 19 de agosto, apenas duas, registradas no dia 7, permaneciam disponíveis na terça-feira, 1º de setembro, segundo as informações apresentadas no caso.
Foram retirados do ar:
- um canal no YouTube;
- um perfil no Facebook;
- sete contas no Instagram;
- sete contas no TikTok.
Continuavam funcionando o site oficial da campanha e o perfil de Renan Santos na rede X.
A diferença entre as contas que permanecem disponíveis e aquelas que foram suspensas está relacionada ao momento em que os endereços foram informados à Justiça Eleitoral.
Os canais apresentados originalmente dentro do prazo continuam podendo ser utilizados, enquanto as contas consideradas comunicadas de forma tardia foram atingidas pela determinação.
TSE quer preservar dados das contas
Além de retirar os perfis do ar, Dias Toffoli determinou a preservação dos conteúdos e registros relacionados às contas desde 7 de agosto de 2026.
A medida permite que os dados permaneçam disponíveis para eventual análise da Justiça Eleitoral.
O ministro também determinou que as plataformas forneçam informações relacionadas à atividade dos perfis, incluindo dados sobre publicações, impulsionamentos, anúncios, alcance e sistemas de recomendação.
Essas informações podem ajudar a esclarecer a dimensão da exposição obtida pelas contas antes da suspensão e verificar se houve utilização de recursos para ampliar artificialmente ou comercialmente o alcance das publicações.

Campanha ainda pode utilizar canais regulares
Apesar da suspensão de parte dos perfis, Renan Santos não teve toda a sua comunicação digital interrompida.
O site informado no registro da candidatura e o perfil na rede X permanecem como canais autorizados para divulgação, conforme a decisão.
O caso, entretanto, representa uma mudança importante na estratégia de campanha do candidato, que perdeu acesso a contas com presença em algumas das principais plataformas digitais.
A decisão ainda poderá ser objeto de medidas jurídicas pela campanha, enquanto o TSE continuará analisando a situação dos perfis e os argumentos apresentados no processo.
O episódio também reforça a atenção da Justiça Eleitoral sobre o uso das redes sociais nas Eleições 2026, especialmente em relação à obrigação de informar previamente os endereços digitais utilizados pelas campanhas.
A identificação dos perfis permite que a Justiça acompanhe a propaganda eleitoral, fiscalize possíveis gastos e avalie o alcance das estratégias digitais adotadas pelos candidatos.
No caso de Renan Santos, o cumprimento da decisão por parte das plataformas já produziu efeitos concretos: grande parte de seus canais de comunicação nas redes sociais deixou de estar disponível ao público.