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Home»Últimas Notícias»Euphoria terminou como começou: dividindo opiniões
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Euphoria terminou como começou: dividindo opiniões

Pero BatistaBy Pero Batista1 de junho de 2026Updated:31 de agosto de 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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Alexa Demie no set de Euphoria
Alexa Demie no set de Euphoria
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O último episódio de Euphoria chegou cercado por expectativas, dúvidas e até certo ceticismo. Depois de uma terceira temporada que passou boa parte do tempo tentando convencer o público de sua nova identidade, o episódio final entregou justamente aquilo que muitos esperavam desde o início: um encerramento com cara de fim. Não apenas de temporada, mas de série. E, olhando para trás, talvez essa fosse mesmo a única decisão possível.

Desde que a segunda temporada terminou, já era evidente que Sam Levinson havia chegado a um impasse criativo. A fórmula que transformou Euphoria em fenômeno cultural em 2019 não parecia mais sustentável para aqueles personagens. A adolescência havia ficado para trás, os conflitos precisavam amadurecer e a série corria o risco de repetir a si mesma. A terceira temporada nasceu dessa necessidade de reinvenção.

O resultado, porém, foi uma obra estranha. Em vários momentos, parecia que alguém havia retirado Rue, Nate, Cassie e companhia de Euphoria e os colocado dentro de outra série completamente diferente. As cores, a fotografia, o ritmo dos diálogos, a trilha sonora e até a forma de construir tensão apontavam para um caminho mais próximo de um drama criminal do que do retrato emocional e juvenil que tornou a produção famosa.

Não é exagero dizer que, em alguns momentos, a temporada lembrou mais Breaking Bad do que a própria Euphoria. Existe uma atmosfera mais pesada, mais seca e menos interessada em capturar a beleza caótica da juventude. A série trocou parte de sua identidade por algo novo, e isso naturalmente afastou uma parcela do público enquanto despertou a curiosidade de outra.

Nas redes sociais, a reação foi imediata. O episódio final gerou uma onda de comentários, debates e interpretações. Houve quem considerasse o encerramento corajoso e emocionante, enquanto outros enxergaram apenas uma confirmação dos problemas que acompanharam a temporada inteira. Ainda assim, poucas produções atuais conseguem provocar uma conversa tão intensa e apaixonada quanto Euphoria.

Pessoalmente, achei o último episódio muito melhor do que esperava. Foi o ponto alto de uma temporada que considero irregular e, em muitos momentos, fraca. Pela primeira vez em vários episódios, senti que havia propósito, urgência e emoção genuína. A tensão funcionou, os riscos pareceram reais e o clima de despedida esteve presente do início ao fim.

A morte de Rue foi conduzida com mais sensibilidade do que muitos imaginavam. A série optou por não transformar aquele momento em espetáculo. Não houve a necessidade de mostrar o rosto da personagem morta ou insistir em imagens chocantes. O impacto veio da ausência, do silêncio e das consequências emocionais. Foi uma despedida dolorosa, mas respeitosa.

Já o destino de Nate seguiu outro caminho. Sua morte brutal parece uma consequência direta de tudo o que o personagem construiu ao longo da série. Desde a primeira temporada, Nate representava uma violência que contaminava todos ao seu redor, e o final não tentou suavizar isso. Foi um encerramento duro para um personagem igualmente duro.

Ainda é cedo para julgar a terceira temporada de forma definitiva. Talvez ela seja reavaliada com o tempo, da mesma forma que aconteceu com outras séries que ousaram mudar radicalmente sua estrutura. Produções como Atlanta mostraram que é possível transformar um projeto ao longo dos anos sem necessariamente destruir sua essência. Se Euphoria conseguiu fazer isso ou não, provavelmente será uma discussão que continuará pelos próximos anos.

O que parece inegável é o legado da série. Em 2019, Euphoria ajudou a redefinir a linguagem visual da televisão contemporânea, influenciou produções, criou tendências e apresentou uma identidade imediatamente reconhecível. Mesmo com uma terceira temporada estranha e controversa, a série encerra sua trajetória ocupando um lugar entre as produções mais importantes da HBO. E, se o objetivo de um grande final é emocionar, provocar e permanecer na memória, este conseguiu cumprir sua missão.

Autor

  • Pero Batista

    Cineasta, produtor e colunista.

Pero Batista
  • Website

Cineasta, produtor e colunista.

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