Cerca de 330 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas ou locais de hospedagem devido aos incêndios florestais que atingem a França e a Espanha desde a última quarta-feira (22). Alimentadas por uma combinação de altas temperaturas, ventos fortes e seca prolongada, as chamas já destruíram dezenas de milhares de hectares e mobilizam milhares de bombeiros, militares e aeronaves nos dois países.
Na França, a situação é considerada uma das mais graves das últimas décadas. Segundo as autoridades, os incêndios já consumiram aproximadamente 42 mil hectares, uma área equivalente a cerca de quatro vezes o tamanho da cidade de Paris. Os focos mais críticos estão concentrados no sudoeste do país, especialmente nas regiões de Gironde e Landes, onde o fogo avança em direção aos arredores de Bordeaux.

As condições climáticas extremas têm favorecido a propagação das chamas. Dados do Reuters Climate Monitor apontam que a temperatura média máxima nas áreas afetadas chegou a 32,2°C durante o mês de julho, cerca de 7,3°C acima da média histórica registrada entre 1961 e 1990.
Somente na noite de sábado (25), aproximadamente 55 mil pessoas foram retiradas de vilarejos ao sul de Bordeaux. Com isso, o número de evacuados no sudoeste francês ultrapassou 220 mil.
O prefeito de Bordeaux, Thomas Cazenave, informou que o incêndio chegou a cerca de 15 quilômetros da região metropolitana da cidade e entre 25 e 30 quilômetros do centro urbano. Apesar da proximidade das chamas, as autoridades descartaram, até o momento, a necessidade de evacuar Bordeaux.
Para conter o avanço do fogo, o governo francês mobilizou milhares de bombeiros, militares e aeronaves especializadas, incluindo um avião cargueiro A400M adaptado para lançar retardante de incêndio. Cerca de 1.500 militares também foram deslocados para auxiliar na retirada de moradores e na proteção de imóveis abandonados durante as evacuações.
Diante da gravidade da situação, o presidente Emmanuel Macron anunciou que deverá realizar uma reunião de emergência com ministros para discutir novas medidas de enfrentamento aos incêndios, que já somam cerca de 30 focos ativos em diferentes regiões do país.
Em publicação nas redes sociais, Macron garantiu apoio às populações atingidas.
“Reconstruiremos, repararemos e estaremos presentes por todo o tempo que for necessário”, afirmou o presidente francês.
Na Espanha, os incêndios também provocam uma grande mobilização das autoridades. Os maiores focos estão concentrados nos arredores de Madri, onde diferentes incêndios acabaram se unindo, ampliando a área devastada.
Desde o início da crise, quase 60 mil pessoas foram retiradas das regiões de Madri e Ávila. Outras 28 mil permanecem confinadas em suas residências por questões de segurança, segundo o Ministério do Interior espanhol.
Pela primeira vez, o governo da Espanha decretou estado de emergência nacional em razão dos incêndios florestais. A medida permite ampliar a coordenação entre os diferentes órgãos de resposta e acelerar o envio de recursos para as áreas afetadas.
A Unidade Militar de Emergências (UME) atua com aproximadamente 1.200 militares e 400 veículos nas regiões de Madri, Ávila e Valência. Além disso, mais de 2 mil pessoas estão sendo atendidas em 14 centros de emergência montados pelo governo regional de Madri.
O combate às chamas também conta com apoio internacional. A União Europeia enviou 11 aviões e helicópteros da frota europeia de combate a incêndios para reforçar as operações na França e na Espanha, conforme informou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Durante visita ao centro de comando instalado em Ávila, neste domingo (26), o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que a prioridade continua sendo preservar vidas. Apesar de reconhecer avanços no controle das chamas durante a noite, ele alertou que as condições meteorológicas ainda representam um desafio para as equipes de combate.
“Horas difíceis estão por vir”, afirmou Sánchez, ao destacar que a evolução dos ventos pode influenciar diretamente o comportamento dos incêndios.

O primeiro-ministro também relacionou a intensidade dos incêndios aos efeitos da emergência climática, afirmando que Espanha e Portugal vêm enfrentando eventos extremos cada vez mais frequentes, como incêndios florestais, tempestades intensas e episódios de neve severa.
As autoridades dos dois países seguem monitorando a evolução das chamas enquanto novas evacuações não estão descartadas, caso as condições climáticas permaneçam desfavoráveis.
